Total de visualizações de página

19 de dez de 2014

NUM ESTADO (SÃO PAULO) ONDE FALTA ÁGUA, "FLEXIBILIZAR" PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, "BEIRA A ESTUPIDEZ"!!!


Lei do Desmatamento paulista ameaça mananciais e nascentes




Em meio à crise hídrica que afeta o Estado de São Paulo, a Assembleia Legislativa aprovou na semana passada o Projeto de Lei Nº 219/2014, que institui o Programa de Regularização Ambiental (PRA) previsto no Código Florestal Brasileiro. Assim como a nova legislação nacional, o conjunto de regras aprovado pelos deputados paulistas prevê a flexibilização e redução da preservação ambiental no Estado de São Paulo. A iniciativa, proposta pelo deputado ruralista Barros Munhoz (PSDB), foi chamada por ambientalistas de Lei do Desmatamento, e foi especialmente criticada por consolidar a diminuição da proteção de nascentes e olhos d’água, reduzindo a faixa de preservação permanente para apenas 15 metros em áreas consolidadas. O texto também permite que proprietários possam compensar o desmatamento em São Paulo com reflorestamento em outros estados.  A mudança de legislação ainda têm que ser aprovada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que já concedeu entrevista sinalizando estar de acordo com o que foi votado.

[...]

Obs. do responsável por este blog. Um dos maiores absurdos que se possa cometer contra a preservação do nosso preciosíssimo recurso natural ÁGUA, é o desmatamento ao redor de nascentes e ao longo dos cursos de água, além de desmatamentos em encostas e topos de morros e similares. "Flexibilizar" sua preservação equivale a privar a Natureza de nos prestar esse valioso "serviço ambiental" e depois atribuir à falta de chuva, a precariedade dos mananciais, culpando os "santos dos céus" por tal calamidade ambiental.
Cada vez que se ampliam as  áreas desmatadas próximas a tais mananciais, aumenta-se o assoreamento, reduzindo assim a sua capacidade de armazenamento de água para atender a uma crescente demanda urbana e rural. Uma ideia de "jerico" (que me perdoe tal inteligente animal por esse sentido figurado).
E assim, vai se alastrando no nosso país a ideia predominante dos políticos ruralistas de que expandindo a agropecuária, sem a contrapartida de recuperar o que já foi degradado, seja a melhor forma de fazer progredir o agronegócio.

Destaque do site de "oeco":
Manaus, AM -- O novo Código Florestal reduziu em 58% as áreas degradadas que deveriam ser restauradas, segundo um estudo publicado no início desta semana na revista Science. O artigo, denominado "Cracking Brazil's Forest Code" (Desvendando o Código Florestal do Brasil), é o primeiro a quantificar as implicações da lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 2012. O texto é assinado por sete pesquisadores brasileiros e um americano.

13 de dez de 2014

ASSIM FICA DIFÍCIL, GREENPEACE!!!

Já não é nada fácil apoiar as ações contundentes, mas muitas vezes justas e procedentes do Greenpeace... aparece agora esta "trapalhada desnecessária"!!!

Além dos formais pedidos de desculpas, seria bom que o Greenpeace afastasse desse tipo de ações esses ativistas trapalhões!

Greenpeace invade ruínas milenares e revolta peruanos [Reproduzido de: www.oeco.org.br]


Um protesto atrapalhado do Greenpeace desviou a atenção da Conferência das Partes da ONU sobre o Clima (COP20). Escrito com 43 letras e um sinal de exclamação feitos em tecido amarelo, a manifestação formou a frase "Time for change! The future is renewable. Greenpeace" ("É hora de mudar. O futuro é renovável"). Até ai nada demais. Entretanto, o local escolhido foram as linhas de Nazca, geoglifos [figuras feitas no chão] de mais de 2 mil anos considerados patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO.

Os ativistas invadiram a área na madrugada de segunda-feira, sem autorização, e formaram a imensa mensagem de letras amarelas, feita para ser vista por sobrevoo. O recado foi dirigido aos representantes dos países que estão reunidos na COP20, em busca de um rascunho do novo acordo global de redução de gases de efeito estufa.

De acordo com jornais locais, a ação pode ter provocado danos aos desenhos milenares criados pela civilização de Nazca, entre 400 e 650 a.C. O governo peruano ficou furioso. Segundo especialistas em arqueologia enviados ao local, que fica entre as cidades de Nazca e Palpa nos Pampas de Jumana, a cerca de 400 km ao sul de Lima, a região atingida pelo protesto tem cerca de 1.600 metros quadrados. O Ministério da Cultura do Peru denunciou o Greenpeace ao ministério público.

O Peru quer saber a identidade dos cerca de 12 ativistas que invadiram a área proibida e processá-los. Eles estão ameaçados de não poder deixar o país e podem pegar até 8 anos de prisão, caso condenados.

Em nota, o Greenpeace pediu desculpas:

"Greenpeace pede desculpas à população do Peru pela ofensa causada por conta da nossa recente atividade no sítio arqueológico de Nazca, no Peru, na qual letras de tecido foram colocadas próximas ao desenho do beija-flor. Nós lamentamos profundamente o ocorrido".

Ainda de acordo com a nota, o Greenpeace afirma que colaborará com as investigações e anuncia a vinda do diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, que pedirá desculpas pessoalmente ao governo peruano.



11 de dez de 2014

AOS POUCOS, TODOS PODERÃO SE INTEGRAR AO "PSA - PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS"

Dois municípios de Mato Grosso aderem ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)

09 Dezembro 2014  |  WWF Brasil
Os municípios mato-grossenses de Tangará da Serra e Mirassol d’Oeste, integrantes do Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, foram selecionados nesta semana pela Agência Nacional de Águas (ANA) para receber recursos financeiros que serão destinados à implantação de projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Assim, em breve, os produtores dos dois municípios serão remunerados financeiramente pela proteção das nascentes e dos recursos hídricos locais, pela conservação das matas ciliares e pela implementação de boas práticas agropecuárias e do manejo do uso do solo.
 
A conquista foi articulada pelo WWF-Brasil que atuou como um dos membros do Grupo Coordenador do Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, cujo objetivo é recuperar pelo menos 30 nascentes nas cabeceiras do Pantanal, envolvendo 25 municípios na região, com impacto em mais de 700 Km de rios.
 
O WWF-Brasil mediou os debates entre poder público, empresas privadas e sociedade civil. Para Glauco Kimura de Freitas, coordenador do programa Água para Vida do WWF-Brasil, a importância da união entre os participantes foi primordial: “o fato de dois municípios do Pacto conseguirem aprovação de seus projetos de PSA é uma vitória e demonstra que a união de atores diversificados faz toda a diferença para o sucesso dos processos públicos”.
 
O lançamento dos dois planos ocorreu esta semana e contou com a participação das prefeituras das duas cidades, do Instituto Pantanal-Amazônia de Conservação (IPAC), do The Nature Conservancy (TNC), do Serviço Municipal de Água e Esgoto de Tangará da Serra (SAMAE), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Tangará da Serra, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), da Secretaria Municipal de Agricultura de Mirassol D’Oeste, do Consórcio Nascentes do Pantanal, o Consórcio do Alto Paraguai, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso e dos frigoríficos Anhambi e Mafrig de Tangará.
 
O que é o PSA?
 
O Pagamento por Serviço Ambiental (PSA) é um sistema pelo qual os proprietários de terras são remunerados por atuar em prol da conservação e da preservação do meio ambiente: a proteção se torna mais atrativa financeiramente do que a exploração dos recursos naturais. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em 2008, o PSA é a principal maneira de evitar a pressão da agricultura, que é cada vez maior em zonas florestais.
 
© WWF-Brasil / Angelo J. R. 

10 de dez de 2014

"A FERRO E FOGO". MAS NÃO É O FAMOSO LIVRO DE WARREN DEAN SOBRE A DESTRUIÇÃO DA MATA ATLÂNTICA

Polícia Federal desmantela esquema de corrupção no IBAMA

Reproduzido de http://www.oeco.org.br/noticias/28807-policia-federal-desmantela-esquema-de-corrupcao-no-ibama
((o))eco - 03/12/14

Pelo menos 23 mandados de prisão, sendo duas preventivas e 21 temporárias, além de mandados de busca e apreensão foram cumpridos ontem pela Polícia Federal para desmantelar um esquema de corrupção que envolvia servidores do IBAMA e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (SEMA).

A operação da PF foi chamada de Ferro e Fogo, em homenagem ao livro homônimo do pesquisador Warren Dean, que narra as formas de destruição da floresta brasileira. [Título original: "With Broadaxe and Firebrand"].

A quadrilha favorecia empresários com o repasse de informações privilegiadas de fiscalização dos órgão ambientais, simplificação de processos burocráticos e fraude em processos ambientais. Os servidores atuavam entre os municípios de São Luis e Imperatriz, no Maranhão.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações que culminaram na prisão dos envolvidos tiveram inicio em setembro do ano passado, após o próprio IBAMA apontar que alguns de seus servidores estariam envolvidos em atividades ilícitas. Entre os envolvidos estão 15 servidores do IBAMA, um servidor e dois ex-superintendentes adjuntos da SEMA.

Ainda de acordo com a PF, os investigados por atos de corrupção responderão pelos crimes de associação criminosa, concussão, corrupção passiva e ativa, prevaricação, advocacia administrativa e violação de sigilo funcional, cujas penas, somadas, podem chegar a 25 anos de reclusão.

8 de dez de 2014

SOBRE REPRESAS E RACIONAMENTO: O TEMA "ÁGUA" CONTINUARÁ SEMPRE EM EVIDÊNCIA, A NÃO SER QUE...

Dois destaques na divulgação sobre esta problemática que certamente vai requerer, antes de tudo, mudança de atitudes.

1) Represa em parque de São Bernardo do Campo está secando
Paulo André Vieira - 13/10/14

O Parque Natural Municipal Estoril Virgílio Simionato, localizado no município de São Bernardo do Campo (SP), foi criado em 1953 para resolver um problema da cidade: além da Praça da Matriz não existiam outras praças, parques ou jardins na cidade. Além de se tornar um agradável destino de lazer na região, o parque é importante para a preservação da fauna e da flora da Mata Atlântica, sendo um importante refúgio da avifauna brasileira, além da prestar um papel importante na preservação do manancial da Represa Billings.

Fotos recentes enviadas ao WikiParques mostram que os níveis da represa estão cada vez mais baixos. A causa apontada é a captação de água para ajudar a suprir as demandas da cidade de São Paulo. O problema é que a vazão da Billings não tem condições de atender esta demanda, levando ao cenário retratado nas fotos abaixo, da represa Jaguari-Jacareí.


2) São Paulo deve economizar água
Reproduzido da Folha de S. Paulo (http://app.folha.com/)


Comentários do autor deste blog

Acredito que muitos de nós estamos conscientes de que abastecimento de água requer bom planejamento e manutenção permanente dos serviços de abastecimento.
Parece que tanto as autoridades, como nós usuários em geral, tememos a expressão "racionamento". Os políticos a temem porque implica em incompetência de gerenciamento. E nós, usuários, por acharmos absurdo que isso aconteça em região com tanta abundância de água. Vou me ater aqui ao tema "racionamento". Especialistas chamam a atenção para o perigo do comprometimento à saúde, que pode ser gerado pelo racionamento. Verdade; ver "falta de água no mundo mata uma criança a cada15 segundos":

Mas eu prefiro, como essencial à economia de água, usar o termo EDUCAÇÃO. Já faz tempo que se fala no Brasil e pouco se pratica, a educação ambiental. Vejamos alguns aspectos de boas atitudes no uso da água e que provavelmente são do conhecimento de muitos de nós, usuários:
1) Reuso de águas cinzas, principalmente em condomínios; destaco aqui um exemplo, neste artigo: 


assim como: acoplamento de águas de pias às bacias sanitárias; lavagem de pisos com água proveniente de máquina de lavar roupa...
2) Otimizar uso de água tratada: bacia sanitária com dois acionamentos para utilização de baixo e alto volume de água; sempre utilizar baldes com água para irrigar plantas em vasos e jardins, dar banho em animais,  e para lavar carro (jamais utilizar mangueira); banhos pessoais  com uso consciente; não permitir brincadeiras de crianças com mangueiras. E outros usos racionais.
3) Em algumas regiões, como na  Nordeste e em algumas situações específicas, coletar e armazenar de maneira apropriada, água de chuva.
4) Procurar orientação profissional competente, quando for preciso irrigar plantios, como por exemplo optar por técnicas eficientes (gotejamento é uma delas) e dosagem de água, frequência e estação do ano para irrigação, fase de desenvolvimento da planta...
Outras atitudes são apontadas na área da educação ambiental. Nossas escolas precisam ter professores preparados para esta nova ordem mundial, que alguns denominam de "governança", que pode ser conceituada pura e simplesmente de acordo com o Banco Mundial:  “governança é a maneira pela qual o poder é exercido na administração dos recursos sociais e econômicos de um país visando o desenvolvimento, e a capacidade dos governos de planejar, formular e programar políticas e cumprir funções".

7 de dez de 2014

FLORESTA AMAZÔNICA E O CLIMA

Divulgado no AGRISSÊNIOR NOTÍCIAS - Pasquim informativo dos (ex-) pesquisadores/servidores da CEPLAC (BA)

FLORESTA AMAZÔNICA E O CLIMA: HÁ CONTROVÉRSIAS!?

Breno Grisi
Professor de ecologia, autor do blog
www.ecologiaemfoco.blogspot.com 

Para início de conversa, explico que escrevo este sucinto comentário sobre a Amazônia e o clima no Brasil, não como especialista em clima, mas apenas como ecólogo preocupado com afirmações do tipo "A afirmação de que as secas da região Sudeste estão sendo causadas pelo desmatamento da Amazônia é leviana, não tem base científica, além de ser contrária ao bom senso...". Como professor de ecologia, sinto-me no dever de esclarecer fatos revelados pela ciência, contribuindo para que o maior número de brasileiros possa entender que extremismos não combinam com desenvolvimento sustentável (tão falado e pouco e mal praticado), tais sejam os dos defensores dos "santuários (termo há muito fora de moda) ecológicos amazônicos" e os adeptos do "agronegócio a qualquer custo". Vários trabalhos teórico-práticos têm sido desenvolvidos com resultados positivos, em pecuária moderna na Amazônia com integração lavoura-pecuária-floresta (já com política governamental implantada para sua prática). Da mesma maneira foi demonstrado por lideranças pecuaristas em Paragominas (PA), que não há necessidade em se expandir a pecuária na Amazônia, mas sim aplicar técnicas já conhecidas de manejo de pastagens e revitalização de solos degradados. Assim atestam membros do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas. E agora, em evidência, o porquê da importância em se manter a floresta em pé, por seu papel relevante e provavelmente insubstituível, em grande parte das chuvas em outras regiões do Brasil e alguns países do sul do nosso continente. Isso sem precisar detalhar outros serviços ambientais que a floresta nos presta, como biodiversidade, fixação do gás carbônico (amenizando o aquecimento global), potencial fornecedor de fármacos, fibras e madeiras... As comprovações científicas sobre a importância da floresta amazônica na ciclagem da água, sua influência nas precipitações pluviais na região norte, se iniciaram com as pesquisas pioneiras de Enéas Salati. Em meados dos anos de 1970, o trabalho pioneiro de Enéas Salati (Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/ Esalq), Piracicaba, da Universidade de São Paulo) demonstrou inequivocamente que "a floresta não é consequência do clima, mas o atual equilíbrio do clima é modelado pela floresta".

A umidade proveniente do Atlântico tropical que se dirige para a Amazônia é reciclada ao longo do seu caminho para os Andes, caindo sob a forma de chuva. Grande parte dessa umidade retorna para a massa de ar por meio da evapotranspiração das superfícies complexas da floresta. Quando a umidade colide com as paredes elevadas dos Andes, uma grande quantidade se precipita como chuva e alimenta a Bacia Amazônica. No entanto, parte da umidade é desviada. A soja do Mato Grosso se beneficia da chuva gerada no Amazonas e em outras partes da Amazônia brasileira. Na realidade, esse "subsídio" natural se estende até o norte da Argentina, favorecendo tanto a agroindústria como a produção de energia hidrelétrica, por onde vai passando. Forma o que hoje está sendo chamado de "rios voadores". Na verdade, esta é a denominação de projeto financiado pela Petrobrás, sendo conduzido pelo engenheiro e explorador ambiental Gérard Moss e liderado por Enéas Salati. Durante dois anos, Moss, em seu avião, acompanhou o trajeto das correntes de ar que circulam na Amazônia, e investigou os itinerários do vapor d ́água evaporada na região, coletando amostras em Belém, Santarém, Manaus, Porto Velho, Alta Floresta, Cuiabá, Uberlândia, Londrina, Ribeirão Preto e Piracicaba. Um “rio voador”, que percorre os céus da Amazônia e chega a São Paulo depois de fazer a curva na Cordilheira dos Andes, pode ter a vazão de todos os rios do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, ou seja, de cerca de 200.000 m3 de água por segundo. Enéas Salati usou a técnica isotópica, e conhecimentos meteorológicos, para demonstrar que determinados isótopos de hidrogênio (deutério) e oxigênio (O18) presentes nas moléculas de água servem como “assinatura” do percurso realizado pelo vapor de água, comprovando sua origem na Amazônia. O líquido analisado no CENA em Piracicaba é uma base de dados também acompanhada pelo professor Pedro Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP. Segundo ele, é importante lembrar que há outras variáveis no estudo, pois existem fluxos de vapor d’água provenientes de outras regiões - especialmente do Atlântico - que exercem um papel fundamental no regime de chuvas. Além disso, nem toda a água que sai da Amazônia transforma-se em chuva no sul do continente. “Apenas 50% do total do fluxo de vapor d’água que entra pela floresta amazônica na altura de Belém está disponível para cair como chuva. Este fluxo é composto pelo vapor primário, que vem do oceano, e pela evaporação e transpiração das plantas”, explica o professor Salati. Pedro Dias afirma que ainda é difícil prever os efeitos do desmatamento no regime de chuvas, mas eles podem incluir tanto secas quanto enchentes em outros Estados. Acredito que esses estudos sobre a influência da floresta amazônica no clima de outras regiões do continente latino-americano tem base científica e esta é uma forte e irrefutável razão para sua conservação.

Finalizando, sugiro aos interessados neste tema a leitura do relatório do climatologista Antônio Donato Nobre (INPE e INPA) "O Futuro Climático da Amazônia" (http://www.ccst.inpe.br/wp- content/uploads/2014/10/Futuro-Climatico- da-Amazonia.pdf). 

5 de dez de 2014

NOSSA "BHOPAL SILENCIOSA". BRASIL: CAMPEÃO MUNDIAL NO USO DE AGROTÓXICOS

Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos, cabendo a cada brasileiro o "consumo" médio de 5,2 litros de veneno agrícola por ano.

Consumo brasileiro de agrotóxicos chega a 5,2 litros per capita por ano


Reproduzido de www.diariodasaude.com.br

O dado foi divulgado durante a celebração do Dia Internacional da Luta contra os Agrotóxicos. A data lembra a tragédia ocorrida há 30 anos, na cidade de Bhopal, na Índia, quando uma fábrica da Union Carbide, atual Dow Chemical, explodiu, liberando toneladas de veneno no ar, matando nas primeiras horas 2 mil pessoas e vitimando de forma fatal outras milhares nos dias seguintes.

A data foi lembrada em diversas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro foi organizado um protesto, na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores. O integrante da coordenação nacional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida Alan Tygel criticou o modelo agrícola brasileiro, dirigido à exportação e altamente dependente de agrotóxicos.

"Nós, aqui no Brasil, estamos desde 2008 na liderança como os maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Isso por conta do modelo adotado pelo país, do agronegócio. O Brasil se coloca no cenário mundial como exportador de matérias-primas básicas, sem nenhum valor agregado, como é o caso da soja, do milho e da cana. São produtos que ocupam a maior parte da área agricultável brasileira, à medida em que a superfície para alimentos básicos vem diminuindo", destacou o ativista.

Segundo ele, o país é campeão no uso de agrotóxicos, com consumo per capita de 5,2 litros por habitante ao ano. "Mas isso não é dividido de forma igual. Se pegarmos municípios do Mato Grosso, por exemplo, como Lucas do Rio Verde, lá se consome 120 litros de agrotóxicos por habitante", alertou Tygel.

Pulverização aérea

Os ambientalistas querem o fim da pulverização aérea - medida já praticamente banida em toda Europa -, o fim da comercialização de princípios ativos proibidos em outros países e o fim da isenção fiscal para os agrotóxicos.

"Uma das nossas bandeiras é o fim da pulverização aérea, pois uma pequena parte do agrotóxico cai na planta, e a grande parte cai no solo, na água e nas comunidades que moram no entorno. Temos populações indígenas pulverizadas por agrotóxicos, que desenvolveram uma série de doenças, desde coceiras e tonteiras até câncer e depressão, levando ao suicídio e à má formação fetal", enfatizou Tygel.

Além disso, ressaltou que o meio ambiente é fortemente impactado, com extinção em massa de diversas espécies de insetos, como abelhas, repercutindo na baixa polinização das plantas e na produção de mel.

Também as águas são contaminadas com moléculas absorvidas pelos animais e pelo ser humano, levando a uma série de doenças, que muitas vezes são passadas das mães para os filhos. Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas na página www.contraosagrotoxicos.org.

Dados da EMBRAPA (http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/agricultura_e_meio_ambiente/arvore/CONTAG01_40_210200792814.html)

Acima, flagrante de como não se deve aplicar agrotóxico!!!

Anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. O consumo anual de agrotóxicos no Brasil tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos comerciais. Expresso em quantidade de ingrediente-ativo (i.a.), são consumidas anualmente cerca de 130 mil toneladas no país; representando um aumento no consumo de agrotóxicos de 700% nos últimos quarenta anos, enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período. 

O consumo desses produtos difere nas várias regiões do país, nas quais se misturam atividades agrícolas intensivas e tradicionais, e nestas últimas não incorporaram o uso intensivo de produtos químicos. Os agrotóxicos têm sido mais usados nas regiões Sudeste (cerca de 38%), Sul (31%) e Centro-Oeste (23%). Na região Norte o consumo de agrotóxicos é, comparativamente, muito pequeno (pouco mais de 1%), enquanto na região Nordeste (aproximadamente 6%) uma grande quantidade concentra-se, principalmente, nas áreas de agricultura irrigada. O consumo de agrotóxicos na região Centro-Oeste aumentou nas décadas de 70 e 80 devido à ocupação dos Cerrados e continua crescendo pelo aumento da área plantada de soja e algodão naquela região. Os estados que mais se destacam quanto à utilização de agrotóxicos são São Paulo (25%), Paraná (16%), Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul (12%), Mato Grosso (9%), Goiás (8%) e Mato Grosso do Sul (5%). Quanto ao consumo de agrotóxicos, por unidade de área cultivada, a média geral no Brasil passou  de  0,8 kg i.a. ha-1, em 1970, para 7,0 kg i.a. ha-1, em 1998. Com relação à quantidade total de ingredientes ativos, as culturas agrícolas brasileiras nas quais mais se aplicam agrotóxicos são: soja, milho, citros, cana-de-açúcar, conforme pode ser observado na Tabela 1. Com o atual crescimento das áreas com cultura de cana-de-açúcar, o consumo de agrotóxicos no Brasil vem se modificando rapidamente.



AFEGANISTÃO: UMA SAÍDA PARA SEU ESTRANGULAMENTO POLÍTICO-SOCIO-ECONÔMICO

UM PAÍS QUE VIVE EM CONFLITO, COM A FAMA DE SOMENTE PRODUZIR DROGAS E ESTAR SUBMETIDO A INTERESSES DOS "PODEROSOS", TEM POTENCIAL ECONÔMICO COM A ROMÃ

By Daud Qarizadah & Harun Najafizade

Port.: as romãs afegãs estão entre as melhores do mundo, segundo especialistas.

Port.: agricultores enfrentam uma dura escolha entre a lucrativa papoula do ópio e cultivos dentro da lei, como o da romã.


English: Afghanistan: Can pomegranates power the economy?

Português: Afeganistão: pode a romã movimentar a economia?