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01/09/2014

SEM A FLORESTA AMAZÔNICA...SEM ÁGUA NO SUDESTE E SUL DO NOSSO CONTINENTE

Eis um assunto que deveria dizer respeito a TODOS nós, brasileiros.
O desejo irrefreável de obter a maior renda possível da floresta amazônica, fazendo-se sobrepor o agronegócio aos serviços ambientais, ao econegócio e até mesmo (pasmem!!!) às necessidades de água do restante do nosso continente, vem comprometendo drasticamente a preservação desse maior patrimônio natural que cobre mais de 3 milhões de quilômetros quadrados do Brasil e que "vive continuamente sobre a corda bamba de intenções políticas sem visão de futuro". E como bem diz o dito popular "só se colhe o que se planta"...aguenta firme, São Paulo e arredores!!! A seca é o fruto a colher.
Vejam este vídeo, apresentado pela Rede Globo:

Algumas postagens neste blog destacam matérias que demonstram a viabilidade de processos e manejos da floresta amazônica, sem comprometer sua sustentabilidade. Eis algumas:

31/08/2014

RIO SÃO FRANCISCO: NEM TODOS O VÊEM COMO SALVAÇÃO PORQUE É POSSÍVEL QUE ELE NÃO CONSIGA SE SALVAR!!!

[O GLOBO, Ciência]

Obs.: neste blog, destaquei a importância do projeto de revitalização do rio São Francisco; acessar

http://ecologiaemfoco.blogspot.com.br/2008/03/revitalizao-do-rio-so-francisco-projeto.html

Pesquisadores anunciam a ‘extinção inexorável’ do Rio São Francisco


Livro escrito por cem especialistas traça o mais completo perfil sobre a vegetação da região e prevê o fim de um dos mais importantes rios brasileiros

por 

RIO - É equivalente a dar oito voltas na Terra — ou a andar 344 mil quilômetros — a distância percorrida por pesquisadores durante 212 expedições ao longo e no entorno do Rio São Francisco, entre julho de 2008 e abril de 2012. O trabalho mapeia a flora do entorno do Velho Chico enquanto ocorrem as obras de transposição de suas águas, que deverão trazer profundas mudanças na paisagem. Mais do que fazer relatórios exigidos pelos órgãos ambientais que licenciam a obra, o professor José Alves Siqueira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, Pernambuco, reuniu cem especialistas e publicou o livro “Flora das caatingas do Rio São Francisco: história natural e conservação” (Andrea Jakobsson Estúdio). A obra foi lançada em Recife este mês.

Em 556 páginas e quase três quilos de textos, mapas e muitas fotos, a publicação é o mais completo retrato da Caatinga, único bioma exclusivo do Brasil e extremamente ameaçado. O título do primeiro dos 13 capítulos, assinado por Siqueira, é um alerta: “A extinção inexorável do Rio São Francisco”.

— Mostro os elementos de fauna e da flora que já foram perdidos. É como uma bicicleta sem corrente, como anda? E se ela estiver sem pneu? E se na roda estiver faltando um raio, e quando a quantidade de raios perdidos é tão grande que inviabiliza a bicicleta? Não sobrou nada no Rio São Francisco. Sinceramente, não sei o que vai acontecer comigo depois do livro, mas precisava dizer isso — desabafa o professor da Univasf. — Queremos que o livro sirva como um marco teórico para as próximas décadas. Vou provar daqui a dez anos o que está acontecendo.

Ao registrar o estado atual do Rio São Francisco, o pesquisador estabelece pontos de comparação para uma nova pesquisa, a ser feita no futuro, medindo os impactos dos usos do rio. Além do desvio das águas, há intenso uso para o abastecimento humano, agricultura, criação de animais, recreação, indústrias e muitos outros. Desaguam no Velho Chico milhares de litros de esgoto sem qualquer tratamento. Barramentos — sendo pelo menos cinco de grande porte em Três Marias, Sobradinho, Itaparica, Paulo Afonso e Xingó — criam reservatórios para usinas hidrelétricas. Elas produzem 15% da energia brasileira, mas têm grande impacto. Alteraram o fluxo de peixes do rio e a qualidade das águas, acabaram com lagoas temporárias e deixaram debaixo d’água cidades ou povoados inteiros, como Remanso, Casa Nova, Sento Sé, Pilão Arcado e Sobradinho.

Com o fim da piracema, uma vez que os peixes não conseguiam mais subir o rio para se reproduzir, o declínio do número de cardumes e da variedade de espécies foi intenso. Entre as mais afetadas, as chamadas espécies migradoras, entre elas curimatá-pacu, curimatá-pioa, dourado, matrinxã, piau-verdadeiro, pirá e surubim.

Não foram as barragens as únicas culpadas pelo esgotamento de estoques pesqueiros do Velho Chico. Programas de incentivo da pesca, que não levaram em consideração a capacidade de recuperação dos cardumes, aceleraram a derrocada da atividade. Espécies exóticas, introduzidas no rio com o objetivo de aumentar sua produtividade, entre elas o bagre-africano, a carpa e o tucunaré, se tornaram verdadeiras pragas, sem oferecer lucro aos pescadores.

A região do São Francisco, que já foi considerado um dos rios mais abundantes em relação a pescado no país, precisa lidar com a importação em larga escala de peixes, sobretudo os amazônicos, para suprir o que não consegue mais fornecer. Uma das espécies mais comercializadas na Praça do Peixe, a 700 metros do rio, é o cachara (surubim) do Maranhão ou do Pará. Nos restaurantes instalados nas margens do Rio São Francisco, o cardápio oferece tilápias cultivadas ou tambaquis importados da Argentina.

A mudança provocada pelo homem tanto nas águas do Velho Chico quanto na vegetação que o circunda foi drástica e rápida. Tendo como base documentos históricos disponíveis, entre eles ilustrações de expedições de naturalistas importantes, como as do alemão Carl Friedrich Philipp von Martius, é possível ver a exuberância do passado. Um desenho feito há 195 anos mostra os especialistas da época deslumbrados com árvores de grande porte, lagoas temporárias, pássaros em abundância. Ou seja, uma enorme biodiversidade, que hoje não existe mais.

Menos de dois séculos depois, restam apenas 4% da vegetação das margens do Rio São Francisco. Desprovidas de cobertura verde, elas sofrem mais com a erosão, que assoreia o rio em ritmo acelerado. Os solos apresentam altos índices de salinização e os açudes ficam com a água salobra. Aumentam as áreas de desertificação. O Velho Chico está praticamente inviável como como hidrovia. Espécies foram extintas e ecossistemas estão profundamente alterados.

Diante da expectativa da “extinção inexorável do Rio São Francisco”, o livro ressalta a importância de gerar conhecimento científico. Não apenas os pesquisadores precisam se debruçar mais sobre o bioma como também o senso comum criado sobre a Caatinga a empobrece. Por isso o título do livro optou por “Caatingas”, no plural, chamando a atenção para sua enorme diversidade.

— O processo que levará ao fim do Rio São Francisco não começou hoje. Basta olhar a ilustração para ver o que aconteceu em tão pouco tempo, menos de 200 anos. A imagem nos mostra um bioma surpreendente: o tamanho das árvores, a diversidade de animais, a exuberância — ressalta Siqueira. —Observamos que ocorre um efeito em cascata. Tanto que, se algo não for feito agora, de forma veemente, o impacto do aquecimento global na Caatinga, que é o local mais ameaçado pelas mudanças climáticas, será dramático.

Exclusividade do Brasil

Difundir o conhecimento gerado durante as expedições é um dos principais legados da publicação. Ainda mais porque trata-se de uma temática brasileiríssima. Aproveitando o jargão ambientalista, que chama de endêmica a espécie que só existe numa determinada região, José Alves Siqueira diz que a Caatinga e o Rio São Francisco são dois endemismos brasileiros. O bioma só ocorre no Brasil, assim como o Velho Chico, que é o único corpo hídrico de grande porte que nasce e deságua em território nacional. Além disso, entre as 1.031 espécies coletadas — a partir de 5.751 amostras —, 136 (13,2%) são restritas à Caatinga. Além disso, 25 espécies cuja ocorrência não era conhecida no Nordeste foram encontradas. Situação semelhante ocorreu com 164 plantas, nunca antes observadas na Caatinga. Mas a cereja do bolo é uma nova espécie coletada por pesquisadores, que ainda estão trabalhando com as informações obtidas em campo para publicar, até o final do ano, a descrição da planta em uma revista especializada.

— A espécie mais próxima desta é do Charco, na Argentina e Paraguai. Isso mostra uma relação entre Caatinga com aquele bioma, são ecossistemas incríveis — ressalta Siqueira. — Este é um dos resultados fabulosos do trabalho, mostra mais uma vez que a Caatinga não é pobre, homogênea nem o patinho feio dos biomas.

No último capítulo, “A flora das Caatingas”, assinado por 78 especialistas de 40 instituições, diversas universidades, entre elas UFRJ e USP, jardins botânicos, Embrapa e até o Museu de História Natural de Viena, detalha métodos de pesquisa e apresenta uma lista florística com as 1.031 espécies. Também é possível ver informações na internet, na página www.hvasf.univasf.edu.br/livro.

Os pesquisadores ressaltam, ainda, que ainda há muito para se descobrir sobre a flora das Caatingas. As plantas desenvolvem mecanismos de adaptação que são ignoradas pela ciência. Sendo assim, os autores do livro destacam que são necessários esforço e dedicação para que o estágio do diagnóstico da diversidade biológica seja superado pelos estudos voltados para as práticas de conservação. Nesta direção, a Univasf criou o Centro de Referência para a Restauração de Áreas Degradadas.

Recuperar a Caatinga é uma tarefa árdua, requer conhecimento científico específico. Isso reforça a importância de manter áreas nobres ainda intocadas. A equação é simples: é muito mais fácil e barato manter a floresta em pé do que tentar reflorestar uma região degradada. Por outro lado, sem o rigor acadêmico, empresas que são obrigadas a replantar em determinadas áreas acabam fazendo as escolhas erradas, como colocar grama de crescimento rápido e impacto visual, mas inadequada para o meio ambiente.

Formatar um conhecimento consolidado de como recuperar a Caatinga deverá ser um trabalho para pesquisadores durante os próximos 30 anos. Um capítulo inteiro é dedicado ao assunto: “Restauração ecológica da Caatinga: desafios e oportunidades”, assinado por Felipe Pimentel Lopes de Melo, do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Pernambuco; Fabiana de Arantes Basso, do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas da Caatinga, da Univasf; e Siqueira. Os autores expressam a urgência de melhorar a relação do homem com o meio ambiente. É fundamental superar a tensão entre a conservação dos recursos naturais com a crescente demanda por matéria-prima, como lenha, carvão, água e energia. Em geral, as soluções imediatistas e sem planejamento trazem enormes prejuízos econômicos, sociais e ambientais: os três pilares da sustentabilidade.

O livro também pode ser lido como uma exaltação ao bioma, incluindo a chamada cultura ‘caatingueira’ e a alma sertaneja, que não são deixadas de fora da edição. No segundo capítulo, (“Viajantes naturalistas no Rio São Francisco”), considerado pelo organizador do livro como o mais poético, Lorelai Brilhante Kury, especialista da Fundação Oswaldo Cruz e da Uerj, faz um resgate histórico e cultural das transformações ambientais.

As agressões ao Velho Chico são históricas. O rio serviu com via de ocupação da região. Ricos e pobres usam os recursos naturais como se fossem infinitos. Entre Petrolina e Juazeiro, casas que valem cerca de R$ 500 mil contam com equipamentos sofisticados, segurança de primeiro padrão e móveis caríssimos, mas a estrutura sanitária é arcaica, contamina o lençol freático e o rio. Lanchas e motos náuticas geram ruído e afugentam peixes. Quase não se vê reaproveitamento de água ou o uso de fontes energéticas renováveis.

— A principal contribuição do livro é chamar a atenção para a Caatinga. É o único bioma exclusivo do Brasil, porém o menos conhecido. Seu personagem mais famoso é o Rio São Francisco, que serviu de mote para o estudo de conservação da Caatinga — frisa Felipe Melo, professor de ecologia da Universidade Federal de Pernambuco e um dos pesquisadores envolvidos na coleta de informações que constam do livro.

Mais do que apontar problemas, os pesquisadores defendem a adoção de práticas sustentáveis. No final de cada capítulo, eles apresentam medidas que poderiam mitigar impactos social, ambiental e também econômico. Além disso, há preocupação com a difusão das informações geradas. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por exemplo, também recebe parte do material coletado pelos cientistas. A instituição carioca poderá montar uma estufa dedicada às plantas da Caatinga.

— É um desafio para a sociedade garantir desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Vamos fazer outra Sobradinho? Não. As cidades que ficaram debaixo d’água por causa dos represamentos do Rio São Francisco perderam histórias, vidas, sítios arqueológicos inteiros — argumenta José Alves Siqueira. — Em síntese, posso dizer que o caminho a ser seguido para viabilidade do São Francisco como modelo de desenvolvimento para outras regiões é a base científica sólida. Investir em recursos humanos, aporte de recursos financeiros para ciência, tecnologia e educação básica.

Os diagnósticos apresentados no livro, porém, têm prazo de validade. Os autores afirmam que são necessárias intervenções imediatas pra tentar mudar em escala regional o cenário de degradação. Além disso, sobram críticas em relação às discussões que envolvem o novo código florestal. O organizador do livro sustenta que já há conhecimento científico sólido em relação à necessidade mínima de 30 metros de vegetação nas margens dos rios para a proteção da qualidade da água, estabilização de encostas e prevenção a enchentes.

Dinheiro não falta. Pelo contrário. Só as obras de transposição de águas, originariamente orçadas em R$ 4,5 bilhões, deverão consumir cerca de R$ 10 bilhões. São recursos federais que prometem melhorar a qualidade de vida na região. Não é o primeiro grande investimento público da Caatinga. Porém, analisando a história, pesquisadores não encontraram relação direta entre o gasto e o bem-estar para a população.

Para quebrar a ideia de que o setor público não consegue fazer trabalhos de qualidade, os pesquisadores se esforçam para multiplicar o legado dos programas ambientais, previstos nos investimentos que mudarão o curso de parte das águas do Rio São Francisco.

Desde 2008, quando o dinheiro começou a ser repassado para a universidade, foram criados o Centro de Referência da Caatinga e novos laboratórios. A equipe conta com dez picapes com tração nas quatro rodas para percorrer a região durante o monitoramento da vegetação.

O trabalho de formação de alunos se volta para o bioma local. Por exemplo, havia uma dificuldade em achar veterinários que conhecessem os animais do bioma, como o veado catingueiro. Até então, grande parte dos alunos da universidade só entendia de cachorro e de gato.

— A obra (de transposição da água do Rio São Francisco) acaba nos proporcionando os meios para uma formação mais qualificada dentro da universidade. A demanda é grande, falta gente especializada para trabalhar para nossa equipe. Contratamos pessoas do Brasil inteiro — diz Siqueira. — A chave é procurar entender as especificidades do bioma Caatinga, que, muitas vezes, chega a passar dez meses na seca. Precisamos entender as adaptações da fauna e flora, assim como a cultura.

27/08/2014

DEVASTAÇÃO NA AMAZÔNIA: PARÁ E MATO GROSSO LIDERAM

[Reproduzido de:  http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2014/08/27/quem-ganha-com-a-devastacao-em-mato-grosso/]

Quem ganha com a devastação em Mato Grosso

POR MAURÍCIO TUFFANI
27/08/14 

Acabo de chegar a Barra do Garças, no Mato Grosso, onde o pessoal que ainda confunde desmatamento com progresso tem novo motivo para comemoração. Palco da expansão desenfreada da soja em áreas de cerrado e de floresta, este Estado, na semana passada, apareceu mais uma vez em posição de destaque no projeto Degrad, que mapeia as áreas de degradação florestal na Amazônia Legal. Os dados de 2011, 2012 e 2013 foram apresentados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sexta-feira, dia 12.

Esse estudo não abrange as áreas desmatadas por meio do chamado corte raso, que já alcançaram 759 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica até 2013 e equivalem à metade do Amazonas, ou, em números internacionais, são maiores que o triplo da área do Reino Unido ou que o dobro da Alemanha, como mostrei na Folha na reportagem “Devastação amazônica é equivalente a duas Alemanhas” (5.jun).

Na verdade, trata-se da continuação de outro levantamento, que apontei neste blog no post “A devastação que não aparece no mapa” (também em 5.jun). Ele abrange as áreas expostas à degradação florestal progressiva pela exploração predatória de madeira, com ou sem uso de fogo, mas que ainda não foram convertidas a corte raso. Naquele post eu mostrei os dados de 2007 a 2010. Na sexta-feira, o Inpe mostrou os números dos anos seguintes, que agora completam a tabela a seguir.

Degrad_Inpe_2007-2013

Essas áreas degradadas, que são predominantemente “cicatrizes de incêndios florestais”, como costuma explicar Dalton Morrisson Valeriano, gerente do Programa Amazônia do Inpe, têm seu comportamento anual muito influenciado por variações climáticas. Por essa razão elas oscilam muito de um ano para outro.

Mato Grosso manteve a liderança nessa modalidade seletiva de desmatamento. O Estado tem sido um constante destaque negativo em toda a história dos programas de monitoramento do Inpe, inclusive no projeto Prodes (programa Desmatamento), que mede o corte raso, cujos dados desde 2007 estão na tabela seguinte.

Prodes_Inpe_2007-2013

Depois de sucessivas quedas desde 2009, a taxa anual de desmatamento por corte raso teve um pequeno crescimento em 2013. Entre os Estados, o campeão foi o Pará, mantendo sua lamentável liderança. Ao Mato Grosso coube, além da segunda posição, o primeiro lugar no aumento proporcional: 51,2% em relação a 2012.

Para poucos

Para piorar, essa devastação ambiental nem sequer é capaz de favorecer os aspectos sociais, como mostrou uma pesquisa, coordenada pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). O estudo, que comparou índices de desenvolvimento social de diversas regiões do país, mostrou que comparada com o restante do Brasil, a Amazônia apresenta resultados inferiores para todas as dimensões e quase todos os componentes do IPS (Índice de Progresso Social), criado em 2013.

Ao comentar a relação entre o desmatamento e indicadores de bem-estar, o relatório do Imazon destacou outro trabalho de pesquisadores do próprio instituto, publicado em abril de 2012 na revista científica “World Development”. De acordo com  o artigo, esses índices, principalmente os que englobam aspectos econômicos, tendem a seguir um padrão boom-colapso, ou seja, eles “crescem nos primeiros anos após a abertura da fronteira e desmatamento e tendem a se equilibrar e apresentar queda nos anos subsequentes quando o recurso florestal se esgota”.

Em outras palavras, se tem havido lucro com toda essa devastação da Amazônia, só pode ser para poucos.

CARNÍVOROS (EXCESSIVOS) CONTRIBUINDO PARA O AQUECIMENTO GLOBAL

Neste blog, algumas matérias  já foram postadas sobre este assunto (menos carne, mais vegetais), como por exemplo, a postagem de

22/07/2013:  MUITAS TERRAS COMPROMETIDAS PARA ALIMENTAR ANIMAIS


Vejamos agora esta, reproduzida de http://www.oeco.org.br/guardian-environment-network



Artigos da rede que reúne os melhores sites ambientais do mundo, selecionados pelo diário inglês The Guardian.

De verdade, quer mudar o clima? Torne-se vegetariano
Travis McKnight* - 21/08/14

Foto: Jean-Pierre/FlickrFoto: Jean-Pierre/Flickr


Entre as disparidades econômicas generalizadas, o crescimento da população, a agricultura não sustentável e as mudanças climáticas, um estudo parcialmente financiado pela Nasa previu que a civilização como a conhecemos pode estar em direção firme ao colapso no próximo século – e a janela de oportunidade para adotar uma mudança de impacto está diminuindo. Isso significa que a geração do século 21 é potencialmente a última geração durante a qual criar uma mudança significativa é possível. Mas como obter isso?

É hora de começar uma revolução alimentar.

A geração do século 21, os “millennials” representam 200 bilhões de dólares em valor econômico, e se a maioria da nossa geração se tornar vegetariana ou vegan, ou ao menos comer uma quantidade considerável menor de carne do que as gerações anteriores, temos a chance de produzir um verdadeiro impacto econômico -- e, portanto, ambiental.

Em 2012, havia cerca de 70 bilhões de animais de abate para 7,1 bilhões de pessoas (links em inglês). E um estudo publicado em julhopela revista Proceedings of the National Academy of Science mostra que a produção de gado é uma das forças mais destrutivas por trás das mudanças climáticas: ela degrada a qualidade do ar, polui cursos de água, e ocupa a maior quantidade de terras.

Precisamente quanto o gado contribui para a mudança climática continua em debate: estudos mostram números que variam de 18% (um relatório de 2006 sobre alimentos das Nações Unidas) até 51% (um estudo da World Watch de 2009). A maioria dos outros estudos está em algum lugar nesse intervalo, mas, em cada um deles, o conselho é o mesmo: o ser humano precisa comer menos carne para frear a mudança climática e a escassez de recursos.

Criar animais para comer produz mais gases do efeito estufa (via metano e óxido nitroso) do que todo o dióxido de carbono expelido por automóveis, barcos, aviões e trens do mundo. Ao longo de um período de 20 anos, o metano tem 86 vezes mais potencial de mudança climática do que o dióxido de carbono, enquanto o mesmo número para o óxido nitroso é de 268 vezes, de acordo com um relatório da ONU de 2006. Reduzir radicalmente a quantidade de metano e de óxido nitroso na atmosfera pode produzir mudanças perceptíveis no efeito estufa dentro de décadas, enquanto as mesmas reduções de dióxido de carbono tomariam quase um século.

Sim, desistir de carne pode reduzir a sua pegada de carbono bem mais do que parar de dirigir.

Além do metano e o óxido nitroso liberados durante a produção, o gado industrializado contribui em cerca de 75% para o desmatamento (necessário para dar aos animais terra para pastar e plantar soja utilizada na sua alimentação).

Criar vacas, claro, tem o maior impacto ambiental. Há cerca de 1,5 bilhão de vacas no mundo. Elas consomem 170 bilhões de litros de água e 61 bilhões de quilos de comida todos os dias, de acordo com odocumentário Cowspiracy. Em comparação, cerca de 7,1 bilhões de seres humanos consomem 19,2 bilhões de litros de água e 9,5 bilhões de quilos de alimentos por dia. Para colocar isto em termos fáceis de digerir, produzir a carne para um hambúrguer de 150 gramas consome algo como 67 mil litros de água, dependendo do tipo de criação do gado, de acordo com o governo dos Estados Unidos.

Em comparação com as galinhas e os porcos, as vacas precisam de 28 vezes mais terras, 11 vezes mais água e causam cinco vezes mais gases de efeito estufa, segundo um estudo liderado por Gidon Eshel, do Bard College. Olhando para os alimentos comumente encontrados em dietas vegetarianas e veganas, como batatas, arroz e trigo, este trabalho conclui que, por caloria de carne bovina, as vacas precisam de 160 vezes mais terra e produzem 11 vezes mais gases de efeito estufa.

É ridícula a quantidade de recursos necessários - e sacrificados - para criar gado; precisamos simplesmente parar de criar tantos animais para abate. Você pode adotar todos os tipos de outros pequenos passos para reduzir seu impacto ambiental: ir para o trabalho de bicicleta ou a pé, reduzir o uso de energia elétrica através de aparelhos mais eficientes, usar menos água através de torneiras e vasos sanitários de baixo fluxo, comprar de empresas ambientalmente conscientes - mas os pesquisadores afirmam que nada disso sozinho será suficiente para reverter a mudança climática. Se você realmente quer fazer diferença, então, preste atenção para o que está no seu prato.

Como disse Albert Einstein: "Nada irá beneficiar tanto a saúde humana e aumentar as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana". Se você não está disposto a se tornar vegetariano ou vegan, apenas reduzir de forma considerável a quantidade de carne em sua dieta pode ter impacto: por exemplo, em vez de aderir à "segunda-feira sem carne", adote a "segundas-feiras carnívoras", caso em que a segunda-feira é o único dia que você come até mesmo uma porção pequena de carne.

Adiar esta mudança por mais uma geração – como nossos pais vêm fazendo -- simplesmente não é viável. A geração do século 21 tem a oportunidade de usar seu poder econômico e escolhas pessoais para promover mudança de verdade, e é nossa responsabilidade fazê-lo.

Além disso, se não pararmos e revertermos as mudanças climáticas, tudo o que restará para comer - se tivermos sorte - é peixe. Ooops, parece que estamos ficando sem peixe também.

 

*Esse artigo é publicado em parceria com a Guardian Environment Network, da qual ((o))eco faz parte. A versão original (em inglês) foi publicada no site do Guardian. Tradução de Eduardo Pegurier



 

 


26/08/2014

QUEIMADAS AVANÇAM NA AMAZÔNIA...E ALGUNS DIZEM QUE "ELAS ESTÃO DIMINUINDO"!!!

Queimadas avançam na Amazônia e poluem o ar de Manaus



Alguns destaques:
No Amazonas, os focos de queimadas cresceram 76% entre 1º de janeiro e 19 de agosto de 2014 em relação ao mesmo período do ano passado, diz o Inpe. Só nos primeiros 19 dias de agosto de 2014 o Inpe registrou 1.302 focos no Estado.

Segundo o pesquisador Alberto Setzer, a fumaça das queimadas do sul do Amazonas e do sudoeste do Pará é a responsável pela extensa névoa de poluição de ar estacionada sobre a cidade de Manaus desde as primeiras horas desta quarta-feira (20).

“Toda a cidade está coberta pela fumaça proveniente, sobretudo, de Apuí e das cidades paraenses de Altamira, Itaituba e Novo Progresso. A situação tende a piorar caso não haja medidas efetivas de fiscalização de combate aos focos, o que pode agravar a poluição e a saúde das pessoas”, disse o pesquisador do Inpe.

Alberto Setzer citou três “elementos” por trás desta situação: o clima seco que favorece o uso e propagação do fogo, a ampliação da fronteira agrícola e a fiscalização.

“A gente sabe que tudo isso (queimadas e incêndios) é proibido. Alguns Estados criaram decretos recentes aumentando o rigor, mas a realidade mostra uma situação diferente. São milhares de focos acontecendo. Por trás de todos esses focos, há ação humana, de propósito ou descuido. Nada disso começa sozinho. Mas se a fiscalização for mais intensa, se queima menos”, afirma o pesquisador.

O modelo de monitoramento do Inpe, segundo Alberto Setzer, não aponta as localidades dos municípios onde há maior registro de queimadas. Portanto, não é possível saber com exatidão se as maiores ocorrências são em fazendas, assentamentos ou áreas protegidas (unidades de conservação e terras indígenas).

Mas o Inpe tem um monitoramento específico para unidades de conservação. De acordo com dados do órgão, a unidade de conservação mais afetada por queimadas é a Flona (Floresta Nacional) de Jamaxim, no Pará, com 2.042 focos desde o dia 1º de agosto. No Amazonas, o Parna (Parque Nacional) Campos Amazônicos, no sul do Estado, registrou até o momento 317 focos de queimadas.

21/08/2014

BOTO-COR-DE-ROSA E PIRACATINGA: MATA-SE UM MAMÍFERO PARA PODER SE COMER UM PEIXE!!!

Não entendo por que a demora em se descobrir "por que a piracatinga só aceita a carne do boto-cor-de-rosa (ou boto vermelho) como isca"!?

Obs.:  Em conjunto, os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e Pesca e Aquicultura (MPA) assinaram instrução normativa que proíbe a pesca e comercialização da piracatinga (Calophysus macropterus) na Amazônia, pelos próximos cinco anos.

A moratória passa a valer a partir de janeiro de 2015.

Muito apreciada na Colômbia, a piracatinga é um peixe desvalorizado no Brasil por se alimentar de animais em decomposição.

Estima-se que em 2011, que para a pesca de 4400 toneladas de piracatinga foram mortos 4250 botos. Se continuar assim, tanto o boto como a piracatinga estarão brevemente ameaçados de extinção.



Matança de botos: mais quatro meses de agonia [ Reproduzido de www.oeco.org.br]


Mais de 3.500 botos vão morrer na Amazônia brasileira durante este segundo semestre, antes de começar a moratória de cinco anos imposta pelo governo federal à pesca da piracatinga. Para capturar o peixe, que se alimenta de animais mortos, pescadores utilizam botos, um crime ambiental que vem sendo denunciado há anos pelaAssociação Amigos do Peixe-Boi da Amazônia (Ampa). Esta projeção é bem superior ao número estimado anteriormente, que indicava a morte de 2.500 botos por ano na região.

A estimativa foi feita pela bióloga Vera Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a partir de dados de pesca da Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror) e pesquisas com pescadores. Segundo dados apresentados pela Sepror, em 2011 foram capturadas aproximadamente 4.400 toneladas de piracatinga no Amazonas. Segundo estudos da equipe de Vera Silva, 39% desse total conseguido com a morte de botos.

Ainda de acordo com a pesquisadora, a maior parte desse pescado foi obtido no segundo semestre. "É quando os rios estão baixando e também, no final do ano, têm o defeso. Aí, os pescadores vão atrás da piracatinga", afirma. De acordo com ela, estudos realizados em um frigorífico em Tefé, interior do Amazonas, indicaram que de 170 toneladas de piracatinga pescados durante um ano, 140 toneladas foram obtidas no segundo semestre.

Para evitar esta catástrofe, a Ampa realiza a campanha Alerta Vermelho. A intenção é obter assinaturas para tentar antecipar a moratória da pesca da piracatinga no Brasil e também sensibilizar autoridades da Colômbia para o problema, já que boa parte do pescado dessa espécie é exportada para o país vizinho. Nesta quinta-feira, a Ampa pretende entregar um abaixo-assinado com 54 mil nomes à Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Amazonas.

A entrega é também uma reação à mobilização que tenta evitar a moratória. O Conselho Estadual de Pesca e Aquicultura (Conepa) pede a revisão da Instrução Normativa que determinou a proibição da pesca da piracatinga por cinco anos, a partir de janeiro do ano que vem, e a reavaliação da área onde ela será proibida. Segundo os pescadores e empresários do segmento, a solução seria aumentar a fiscalização para evitar a morte dos botos.

Para a bióloga Vera Silva, fiscalizar não é suficiente. "A cada ano, a gente vê na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, a população de botos diminuir 7,5% por cento. Isso não é sustentável", destaca. De acordo com Vera, o agravante é que os pescadores preferem botos jovens, que muitas vezes nem chegaram a idade reprodutiva. Um boto macho demora 10 anos para atingir a idade reprodutiva e a fêmea entre 6 e 7 anos. A gestação demora entre 11 e 13 meses, além disso, a mãe amamente o filhote por dois anos. "A morte de jovens que ainda nem se reproduziram tem um enorme impacto sobre a população", afirma.

20/08/2014

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: EXPERIÊNCIA DE UM PROJETO PRÁTICO

Vez ou outra algum(a) colega me pergunta sobre trabalho que realizei em Educação Ambiental.
Durante o período de um (1) ano em que atuei como professor visitante na UFPB, desenvolvi um projeto em Educação Ambiental numa escola de ensino médio situada no município de Santa Rita (grande João Pessoa). Trabalhei com três turmas de alunos dessa disciplina, nível de Mestrado, no PRODEMA - Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

O relatório final desse trabalho está no link:


Algumas fotos da escola, incluídas no relatório.



19/08/2014

"CONVERSAS" DE TARTARUGAS "FALANTES" DO RIO TRMBETAS FORAM DECIFRADAS POR CIENTISTAS BRASILEIROS

[Reproduzido de www.amazonia.org.br]

Cientistas brasileiros conseguiram decifrar conversas de tartarugas “falantes” no Pará – inclusive o papo entre mães e filhotes recém-nascidos.


Gravações feitas no rio Trombetas indicam que, na época de fazer os ninhos, as tartarugas de rio trocam informações pela voz, comunicando-se com pelo menos seis sons diferentes.

Os pesquisadores da organização de conservação Wildlife Conservation Society (WCS) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) acreditam que algumas dessas conversas são as mães tartarugas ensinando os filhos a como chegar na água.

Ouça ‘conversa’ de tartarugas

Para escutar a "conversa", acesse: http://amazonia.org.br/2014/08/cientistas-decifram-conversa-de-tartarugas-falantes-no-par%C3%A1/

Como muitas espécies de tartarugas vivem por décadas, os pesquisadores também acham que jovens tartarugas aprendem estas habilidades de comunicação oral com indivíduos mais velhos.

Segundo eles, este é o primeiro registro de cuidado “materno” entre tartarugas, sugerindo que por isso os animais são vulneráveis aos efeitos da poluição sonora.

Os resultados foram publicados recentemente na revista científica Herpetologica.

Sons diferentes

As gravações indicam que os animais podem ter vidas sociais mais complexas do que se pensava.

A equipe de pesquisadores realizou o estudo no rio Trombetas entre 2009 e 2011. Eles usaram microfones e hidrofones subaquáticos para registrar mais de 250 sons individuais dos animais.

Os cientistas analisaram estes sons e os dividiram em seis tipos diferentes, relacionando cada categoria a um comportamento específico.

Outro som era emitido por adultos quando eles estavam esperando nas praias pela chegada de seus filhotes.

“Os significados [exatos] não são claros, mas elas estão trocando informações”, disse à BBC Camila Ferrara, do WCS Brasil.

“Achamos que o som ajuda os animais a sincronizarem suas atividades na época de fazer ninhos.”

Ferrara acredita que as fêmeas emitem sons específicos para orientar a filhotes a chegar água e também a se locomover pela água.

“As fêmeas esperam os filhotes”, disse a estudiosa. “E sem esses sons eles podem não saber para onde ir.”

Por: Victoria Gill
Fonte: BBC Brasil

ALGUÉM DENUNCIAR ÀS AUTORIDADES QUE SERÁ ASSASSINADO...NA ZONA RURAL, NÃO SURTE O EFEITO DESEJADO: SOBREVIVER!!!

[Toda a matéria em http://amazonia.org.br/2014/08/presidente-de-associa%C3%A7%C3%A3o-rural-e-esposa-s%C3%A3o-mortos-ap%C3%B3s-denuncia-contra-pms-e-pol%C3%ADticos-do-mt/]

Presidente de associação rural e esposa são mortos após denúncia contra PMs e políticos do MT




O Presidente da Associação ASPRONU (Associação de Produtores Rurais Nova União), Josias Paulino de Castro, 54 anos, e sua esposa, Ireni da Silva Castro, 35 anos, foram assassinados neste sábado (16), no Distrito de Guariba, no Município de Colniza. Os corpos foram encontrados crivados de tiros de arma de fogo calibre 9mm, que é de uso restrito. “Será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências”, havia dito a vítima na semana passada.

A execução revoltou moradores da região, já que todos sabiam que o casal, ainda neste mês de agosto, havia ido até Cuiabá realizar várias denúncias ao ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva. Segundo informações do site O Pantanal Online, ele teria denunciado alguns políticos da região, por extração ilegal de madeira. Também denunciou a Polícia Militar por irregularidades em órgãos do governo por emissão irregular de títulos definitivos das terras na região.

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