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23/10/2014

EM GANA NÃO HÁ EBOLA, EMBORA CERCA DE 100 MIL MORCEGOS FRUGÍVOROS SEJAM COMIDOS POR ANO, COMO CARNE DE ANIMAL SELVAGEM, PELA POPULAÇÃO HUMANA


Em Gana,  os morcegos frugívoros testaram positivo para anticorpos contra o vírus do Ebola e henipaviruses, servindo assim, como um reservatório natural para o Ebola - e são utilizados como carne pelos humanos.

Autores:


Em dois estudos recentes realizados em Gana, reportamos quantas pessoas caçam morcegos para comida e dinheiro. Estimamos que mais de 100.000 morcegos frugívoros, especificamente o "palha colorido", são caçados a cada ano. A carne de morcego é importante fonte secundária de proteínas para os caçadores e as suas famílias, especialmente quando outras fontes tais como peixe ou antílope são escassos. Carne de morcego também alcança um preço bastante elevado em mercados, complementando a renda muitas vezes inconsistente de um caçador.

De todas as espécies de animais selvagens,  os morcegos apresentam questões complexas. O segundo mais diverso grupo de mamíferos depois de roedores, acolhem mais de 65 patógenos humanos conhecidos, incluindo o vírus Ebola, o coronavirus (a causa da SARS), o henipavirus (que pode causar encefalite mortal em seres humanos) e o vírus da raiva.

Os morcegos são um dos grupos de mamíferos mais vulneráveis à caça excessiva e destruição de habitat. Eles proporcionam indispensáveis funções ecológicas, tais como controle de pragas por morcegos que comem insetos, polinização e dispersão de sementes. 
A perda de morcegos, seja pela de caça ou controle de doença,quase certamente teria consequências de longo alcance e longa duração ecológicas e econômicas.

22/10/2014

CAOS FUNDIÁRIO NA AMAZÔNIA É HISTÓRICO

O Programa Terra Legal e o caos fundiário na Amazônia

Reproduzido de:

Por que o maior programa para reduzir o caos fundiário da Amazônia – e evitar mortes e desmatamento – só cumpriu 15% do objetivo


Uma das maiores tragédias da Amazônia é o caos fundiário na região. A floresta poderia gerar muita riqueza de forma sustentável, com a produção de madeira, de essências ou frutos, com turismo ou até com energia e mineração. Mas nada disso pode ocorrer de forma organizada e controlada quando não há segurança sobre quem é o dono e responsável pela terra. Um estudo de 2008 do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostrou que 32% das terras na região não tinham propriedade definida.

A confusão fundiária na Amazônia é uma herança histórica. São quatro séculos de ocupação territorial desordenada. Desde a política de distribuição das sesmarias do século XIX, a aquisição de terras na Amazônia tem sido feita por meio de posses. Os ciclos da borracha, a colonização do governo militar, a corrida do ouro nos anos 1980 e agora a expansão da pecuária envolveram apropriação irregular de terra pública.

O roubo de terra, batizado de grilagem, começa com a ação de madeireiras clandestinas. Elas retiram da floresta as árvores de maior valor comercial. Essa exploração, sozinha, não destrói a floresta, mas deixa a mata mais pobre. A terra sem dono atrai especuladores, que usam o dinheiro da madeira e do carvão para derrubar a mata, plantar capim e colocar gado na área desmatada. A pecuária cria uma aparência de terra produtiva e permite a falsificação de documentos de posse. Sem propriedade definida, são fadadas ao fracasso as tentativas de criar um modelo de economia sustentável na Amazônia.

Colocar ordem na floresta não tem sido tarefa fácil. Uma das esperanças é o programa Terra Legal, lançado em 2009 pelo governo federal. Quando surgiu, ele estava concentrado em 43 municípios amazônicos. Tinha como meta inicial entregar títulos de terra a 150 mil posseiros que ocuparam áreas públicas federais não destinadas a eles. Diferentemente dos grileiros, os posseiros são pequenos produtores, extrativistas, que usam a terra para plantar, sem intenção especulativa. O Terra Legal vem sendo executado em fases. Elas começam com identificação nos cartórios das glebas públicas, seguida pela medição com satélites (georreferenciamento) das terras, pela identificação dos ocupantes e pela definição do que fazer com a área. Em consulta a órgãos como a Funai, o Incra e o Ministério do Meio Ambiente, os agentes do programa determinam se é possível dar o título a quem lá cultiva ou faz extrativismo.


[Toda a matéria no link acima]

19/10/2014

RIO SÃO FRANCISCO: O PREÇO DO DESPREZO

Edição do dia 19/10/2014 - GLOBO RURAL

19/10/2014 09h00 - Atualizado em 19/10/2014 09h00

Pequenos produtores enfrentam dificuldade para sobreviver em MG

Eles estão cercados pela agricultura intensiva e o desmatamento.
Sem água, os produtores não têm produção agrícola nem capim.

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/10/pequenos-produtores-enfrentam-dificuldade-para-sobreviver-em-mg.html

Curto texto do vídeo que pode ser acessado no link acima:
"Estima-se que o desmatamento já atingiu dois terços da cobertura de cerrado no norte e noroeste de Minas Gerais. Quase tudo virou carvão para siderurugia. Depois, em muitas áreas, veio a ocupação intensiva com a agropecuária. Alguns grandes produtores da região foram procurados, mas não quiseram dar entrevista. Imagens aéreas mostram o crescimento do uso de pivôs. De 2012 para 2013, as permissões para a utilização da água na irrigação aumentaram 17%".

17/10/2014

REDUÇÃO DE DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA: PROMETIDO MAS...

Diminuição da taxa de desmatamento esbarra em “piso”

[Reproduzido de www.amazonia.org.br -  ver link abaixo]

O desmatamento da Amazônia desapareceu do debate eleitoral, e o governo Dilma Rousseff tem bons motivos para mantê-lo fora: a redução das taxas de destruição esbarrou num “piso” duro de romper, indica pesquisa de institutos da Suécia, da Espanha e da Indonésia.

O Brasil se comprometeu a diminuir a área desmatada a cada ano em 84%, para 3.925 km², até 2020. Chegou perto disso em 2012, com 4.571 km², mas em 2013 um repique de 29% levou a taxa a 5.891 km².

Para Dilma, foi um “aumentinho”, como disse na Cúpula do Clima em Nova York. Mas é também um sintoma de que o país pode descumprir a meta que adotou.

[Matéria completa em http://amazonia.org.br/2014/10/diminuicao-da-taxa-de-desmatamento-esbarra-em-piso/]


16/10/2014

ECOLOGIA COMO CIÊNCIA DE IMPORTÂNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO AMBIENTAL

Veja as quatro razões, dentre várias outras, que fazem da Ecologia  uma ciéncia de vital importância ao tão propalado (e pouco compreendido) "desenvolvimento sustentável". [Extraído do Glossário de Ecologia].

1) SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE ECOLOGIA E ECONOMIA

                Ecologia (palavra originada do grego “oikos” = casa; e “logos” = estudo) tem similaridades e diferenças da economia (também de origem grega, significando o manejo/ordenação/manutenção da casa).
                A respeito da economia relacionada ao meio ambiente e os recursos da Natureza em geral, devemos nos lembrar da economia ambiental (ou economia do meio ambiente) (ver este termo mais adiante).
 
                ODUM & BARRETT (2005) destacam as seguintes especificidades de ambas:
ATRIBUTO
ECONOMIA
ECOLOGIA
Escola de pensamento
Cornucopiana
Neo-malthusiana
Moeda corrente
Dinheiro
Energia
Forma de crescimento
Em forma de J
Em forma de S
Pressão seletiva
r-estrategista
k-estrategista
Abordagem tecnológica
Alta tecnologia
Tecnologia apropriada
Serviços do sistema
Providos pelo capital humano
Providos pelo capital natural
Uso dos recursos
Linear (descartável)
Circular (reciclagem)
Regulação do sistema
Expansão exponencial
Capacidade de suporte
Meta futurística
Exploração e expansão
Sustentabilidade e estabilidade
                Breve explanação sobre alguns dos termos acima (não incluídos neste Glossário como verbetes de entrada):
a)       Escola cornucopiana. Fundamentada na teoria do economista norte-americano Julian L. Simon, em 1981: futurista, acreditando que o progresso (continuo) e a provisão material para a espécie humana podem ser obtidas pelos avanços constantes da tecnologia. Nessa “linha de pensamento” acredita-se que o planeta Terra terá matéria e energia suficientes para sustentar os 9,5 bilhões de seres humanos que se preveem existir no ano de 2050.
b)       Escola malthusiana. Fundamentada na teoria do economista e reverendo inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834) que acreditava que a população humana aumentaria numa escala geométrica e o suprimento de alimento em escala aritmética. Ocorreriam como consequência a pobreza e a fome, além de guerra e restrições morais. Os adeptos desta teoria não consideravam os avanços tecnológicos na agricultura e produção de alimento em geral. Em termos ecológicos equivale dizer que o potencial reprodutivo de um organismo (ou de uma espécie) excederia a capacidade da Natureza em sustentar seus descendentes. E assim a biodiversidade somente poderia ser preservada pelos mecanismos que mantêm a população desse organismo (ou espécie) em equilíbrio, como acontece na predação.

2) ECONOMIA NEOCLÁSSICA e ECONOMIA ECOLÓGICA

                Na primeira, seus adeptos (como o conhecido economista norte-americano Milton Friedman) asseguram que os recursos naturais são importantes, mas poderão ser dispensáveis porque a tecnologia poderá prover substitutos. Em oposição, os economistas ecológicos (como o também conhecido Herman Daly) defendem a preservação dos recursos naturais, que são insubstituíveis, como a boa qualidade do ar, água e solo. Estes economistas ecológicos acreditam que o crescimento econômico convencional poderá degradar ou exaurir várias formas do capital natural.
                Os economistas neoclássicos admitem que água e ar poluídos sejam normais, pois a tecnologia os tornará puros para consumo.

3) ECOLOGIA INDUSTRIAL
Estudo multidisciplinar dos sistemas industrial e econômico e suas ligações com os sistemas naturais. Na ecologia industrial há incorporação de pesquisas realizadas sobre materiais retirados da Natureza, suprimentos de energia, técnicas de manipulação de tais materiais e resíduos após seu beneficiamento, além de envolver profissionais de inúmeras áreas relacionadas à produção (mineração, agricultura, engenharia florestal, pesca...). Além da própria ecologia, utiliza conhecimentos das ciências básicas: físicas, químicas e biológicas. Demanda ainda conhecimentos de diversas outras áreas, como geologia, ciências sociais, economia, direito e administração.
  De acordo com a “McGraw-Hill Concise Encyclopedia of Science and Technology (2004)” os cinco conceitos-chave da ecologia industrial são (em resumo)    (i) Delineamento de produtos, processos, infra-estrutura, equipamento, serviços e sistemas de tecnologia que possam ser facilmente adaptados a inovações ambientalmente favoráveis com o mínimo de desperdício. (ii) Minimização de desperdícios de materiais e de consumo de energia em todas as atividades. (iii) Uso de alternativas menos tóxicas, o máximo possível, em particular quando os materiais residuais sejam dispersos no ambiente (um pequeno exemplo: a adição de chumbo à gasolina). (iv) Delineamento de produtos, infra-estrutura, equipamento e sistemas de tecnologia para preservar a utilidade implícita de materiais e energia no processo inicial de manufaturamento. Há aqui preferência pelos processos que estendam a vida do produto e deem suporte à reciclagem de componentes, mais do que os materiais em si. (v) Delineamento de produtos físicos em todas as escalas não apenas para realizar sua função intencionada, mas também para ser usado para criar outros produtos úteis no final de sua vida corrente.

4) NOVO URBANISMO / ECOCIDADE
                De umas duas décadas para cá novos conceitos sobre habitabilidade em cidades vem sofrendo mudanças positivas, em termos de qualidade de vida. No entanto, são poucas as cidades que vêm adotando tal posicionamento. Cita-se como exemplo mundial Curitiba (PR) (MILLER & SPOOLMAN, 2009). Algumas poucas cidades europeias e norte-americanas fazem parte dessa minoria. As ecodidades seguem o princípio de “cidades são para pessoas e não para carros”.
                Numa ecocidade predominam: (i) espaço predominante para caminhar, estando lojas e áreas recreacionais ao alcance de uns 10 minutos de caminhada, assim como existência de ciclovias; (ii)ambientes atrativos (lojas, escritórios, edifícios de apartamentos...) que agradem a todas as pessoas (de todas as idades); (iii) manutenção da diversidade arquitetônica, paisagística (diversidade de beleza cênica); (iv) sustentabilidade baseada no mínimo de impacto ambiental, permitindo manutenção da biodiversidade (presença de vida silvestre, como plantas nativas, aves e animais domésticos que possam ser respeitados e tratados como “espécies-companheiras”); (v) transporte público adequado, fácil de ser utilizado, constituindo-se em atrativo como opção segura, confortável e econômica.

Finalizo relembrando o(s) conceito(s) de desenvolvimento sustentável:
Pode ser definido como: “melhoria da qualidade de vida humana, dentro da capacidade de 
suporte dos ecossistemas”. Poderia ainda ser: “desenvolvimento visando às necessidades do presente, 
sem comprometer a disponibilidade de recursos que as gerações futuras necessitarão”. Ou: 
“desenvolvimento socioeconômico, respeitando e procurando manter as características da Natureza, 
sendo, portanto, baseado em princípios ecológicos, para exploração dos seus recursos; esperando-se com 
isso, que sejam evitados o desperdício e a degradação ambiental”.

14/10/2014

RIO SÃO FRANCISCO EM IMAGENS DE SATÉLITE: ENCANTAM E ASSUSTAM!!!

As belezas do Velho Chico vistas do espaço
Paulo André Vieira - 06/10/14



Deu no Jornal Nacional: a principal nascente do Rio São Francisco está seca. Localizada no Parque Nacional da Serra da Canastra, a falta de água por lá pode não afetar o resto do rio, já que muitos outros tributários ajudam a mantê-lo, mas é simbólica quando se trata do futuro do Velho Chico. Peixes, flores e aves, o Rio São Francisco de hoje em dia é muito distante do que foi no passado.

“Era surubim, dourado, curimatá. Eram peixes grandes, peixe de 10 kg, até de 20 kg a gente já pegou. Hoje em dia isso não tem mais”, conta Florisvaldo, morador de Manga, MG, em reportagem publicada em ((o))eco em 2013.

Ver, no link mostrado acima, imagens de satélite do rio São Francisco.