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30/10/2014

O FUTURO CLIMÁTICO DA AMAZÔNIA (em pdf) - ANTONIO DONATO NOBRE

http://www.ccst.inpe.br/wp-content/uploads/2014/10/Futuro-Climatico-da-Amazonia.pdf
Vídeo com apresentação do tema, em português:
https://www.ted.com/talks/antonio_donato_nobre_the_magic_of_the_amazon_a_river_that_flows_invisibly_all_around_us#t-8094



O cientista e pesquisador Antônio Donato Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), lança nesta quinta-feira (30/10) um relatório no qual sintetiza cerca de duzentos dos principais estudos e artigos científicos sobre o papel da floresta amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para áreas produtivas, vizinhas e distantes da Amazônia.

Até o ano passado, o desmatamento acumulado na Floresta Amazônica, em 40 anos de análise, somou 762.979 quilômetros quadrados (km²), o que corresponde a três estados de São Paulo ou a 184 milhões de campos de futebol. É o que revela o relatório O Futuro Climático da Amazônia, coordenado pelo pesquisador Antonio Donato Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O relatório reúne várias estudos feitos sobre a região e é destinado à população leiga. O objetivo é universalizar o acesso a mais de 200 estudos e artigos científicos e diminuir o que o pesquisador chama de “ignorância” sobre os problemas ambientais.

Nobre calcula que a ocupação da Amazônia já destruiu 42 bilhões de árvores, ou seja, mais de 2 mil árvores por minuto, de forma ininterrupta, nos últimos 40 anos. Somando-se o desmatamento e a degradação (que considera áreas verdes, mas inutilizadas) da floresta, a destruição da Amazônia alcança mais de 2,062 milhões de km².

De acordo com o relatório, o desmatamento pode pôr em risco a capacidade da floresta de rebaixar a pressão atmosférica, exportar sua umidade para outras regiões pelos chamados “rios voadores” e regular o clima, induzindo à seca. Os efeitos sobre a Região Sudeste, mais especificamente no estado de São Paulo, que enfrenta uma grande seca, ainda estão sendo estudados, mas Nobre acredita que parte disso seja reflexo do desmatamento da Mata Atlântica e do aquecimento climático.

“Estamos na UTI climática”, afirmou o pesquisador, comparando o problema do clima ao de um paciente internado em um hospital. Segundo Nobre, é difícil prever se o “paciente” – no caso, a Amazônia – vai reagir, embora ainda exista uma solução para o problema.

29/10/2014

"SÓ SE COLHE O QUE SE PLANTA"... MAS EM CONDIÇÕES DE MAU MANEJO, PODERÁ NADA SE COLHER!!!

SAL, DESTRUINDO SOLOS FÉRTEIS - ONU

Reproduzido de BBC News


Cerca de 2.000 hectares de terra fértil são perdidos cada dia devido a danos causados pelo sal, de acordo com uma análise das Nações Unidas.

A área total afetada  é equivalente ao tamanho da França - 62 milhões de hectares - que aumentou em 45 milhões durante 20 anos.

A degradação pelo sal ocorre em áreas de terras irrigadas, secas, com pouca chuva e onde não há nenhuma drenagem natural.

O relatório é publicado no diário das Nações Unidas, Fórum de recursos naturais.

O relatório sugere plantio de árvores, aragem profunda e a produção de culturas tolerantes a sal. Ele também propõe a escavar drenos ou valas em torno do terreno afetado.
Esses métodos seriam caros, mas os autores dizem que o custo por não se agir, seria pior. Eles estimam que o custo global alcança os U$27.3 bilhões.

Muitas regiões em 75 países são afetadas, incluindo a bacia do mar de Aral, na Ásia Central, a bacia do Indo-Ganges na Índia e na bacia do rio amarelo na China, causando um impacto em muitas colheitas importantes.
Na Índia, por exemplo, o trigo, o arroz, a produção de cana-de-açúcar e algodão estão todos em risco - culturas que são vitais para a subsistência. Na bacia do rio Colorado relatórios mostraram que danos do sal poderiam custar aos E.U. até U$465 milhões por ano.
[...]
Os autores estimam que a produção de alimentos precisará aumentar em 70% até 2050 para alimentar a crescente população mundial.
Um dos métodos propostos para combater os danos já foi desenvolvido por um fazendeiro holandês. Marc van Rijsselberghe disse que ele tinha produzido batatas que podem ser irrigadas com água salgada.
Agricultor holandês afirma que a batata pode ser cultivada em solos salinos, em todo o mundo


Ele disse ao programa de agricultura, na BBC, que sua colheita pode reduzir a pressão sobre os recursos de água doce e disse que ele já tinha colhido este ano 50 toneladas de batatas tolerante à solução salina. E afirmou que a batata poderia ser cultivada em 300 milhões de hectares de terra em todo o mundo.

BRASIL:
O Sistema de Informação de Solos Brasileiros encontra-se disponível em:

Breve reportagem jornalística sobre salinização de solos no Nordeste (em Pernambuco), pode ser vista em:

25/10/2014

SERÁ QUE O SONHO DA SUSTENTABILIDADE NA AMAZÔNIA ESTÁ COMEÇANDO A SE REALIZAR???

A vocação da Amazônia

Reproduzido de www.amazonia.org.br

Como a produção de açaí e essências, o reflorestamento e – acredite – as hidrelétricas podem gerar renda e emprego na região e criar alternativas econômicas que convivem bem com a floresta


O caminho de destruição da riqueza natural da Amazônia é conhecido. Começa com as madeireiras predatórias, que retiram as árvores de valor comercial. Depois vêm os carvoeiros, que queimam a vegetação restante em seus fornos. Por fim, chega o fazendeiro. Ele planta capim, solta o gado e impede a regeneração da floresta. Essa sequência de eventos dura cerca de dez a 15 anos, gera empregos e renda fugazes. Depois, em geral, deixa a região tão pobre quanto começou. O ritmo da devastação caiu 70% nos últimos dez anos, mas continua alto. No ano passado, foi equivalente a quatro vezes o município de São Paulo. Para mudar o rumo da Amazônia, não bastam mais leis severas e fiscalização. É preciso criar alternativas de negócios que gerem mais renda e trabalho com a floresta em pé. Felizmente, essas novas cadeias produtivas já vêm ganhando força. São atividades com potencial para virar vocações sustentáveis para o ambiente e para a população da Amazônia, com benefícios para o resto do país para o mundo. A seguir, alguns dos negócios mais promissores.

AÇAÍ

O verão, estação seca no Pará, vai de julho a dezembro. Nessa época do ano, o entorno da Baía do Guajará, na região de Belém, já respira açaí mal o dia começa. Nos mercados de rua que suprem o consumo local ou nas áreas ribeirinhas, tudo precisa ser feito antes que o sol esquente demais. Em Igarapé-Miri, a 78 quilômetros de Belém, boa parte da população está envolvida na cultura da palmeira de açaí. Em 2012, segundo dados da Empresa de Assistencia Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-PA), a cidade produziu mais de 160.000 toneladas do fruto. Às margens de um igarapé, o agricultor Luiz Correa amanhece coletando açaí com os dois irmãos na pequena propriedade da família. Por volta do meio-dia, já há 20 latas (de 14 quilos cada uma) do fruto na frente da casa. “Hoje, dá para viver do açaí, e aprendemos como fazer a planta produzir sempre”, diz. “Cortamos as árvores mais velhas, retiramos o palmito, e o resto vira adubo. Sempre cuidando dos brotos, que nascem sozinhos.” Aos 23 anos, ele trabalha desde a adolescência na função. Depois que o açaí se tornou a principal renda da família, eles (Luiz, os pais, quatro irmãos e dois sobrinhos) têm uma casa mais confortável e luz elétrica. Também puderam comprar um barco maior, para que Domingos, pai de Luiz, recolha açaí nas propriedades vizinhas e revenda no porto regional.


A produção depende da floresta saudável. “Como ainda não se obtiveram sucesso e qualidade com a plantação da palmeira em áreas secas, o produto segue extrativista, para ser rentável”, afirma o pesquisador Paulo Amaral, do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Com isso, a opção de desmatar as plantações de açaí é desinteressante. “Na monocultura, a planta fica mais sujeita a doenças e fogo. Por isso, a saída é fazer o manejo sustentável dos açaizais”, afirma João Meirelles, diretor-geral do Instituto Peabiru, ONG dedicada ao trabalho com comunidades da Amazônia. Mesmo para grandes indústrias, o caminho é o extrativismo sustentável. É o caso da Coca-Cola. No segundo semestre do ano passado, ela lançou uma bebida feita da polpa de açaí misturada com banana, pela marca Del Valle. “A premissa é respeitar o potencial local das comunidades com que trabalhamos. Avaliamos antes a disponibilidade para garantir que o produto não sofrerá quebra de safra, nem precise ser descontinuado, e isso prejudique as comunidades”, diz Claudia Lorenzo, diretora de negócios sociais da Coca-Cola.

[...]

E como o açaí, vejam outros exemplos mencionados nessa matéria:

A indústria de cosméticos e perfumes sabe, não é de hoje, que a Amazônia está cheia de ingredientes ricos e rentáveis. Uma das fragrâncias mais famosas do mundo, o Chanel no 5, usa em sua fórmula a essência do pau-rosa. Antes extraída da madeira, hoje vem de folhas dessa espécie, nativa da floresta. Nomes como andiroba, castanha-do-brasil, buriti, vitória-régia, murumuru, copaíba, cupuaçu e priprioca já são conhecidos do consumidor. Assim como o açaí, são boas alternativas para que a Amazônia dê lucro, gere emprego, s renda e permaneça preservada. Essas essências são o principal sustento de lavradores como Antônio dos Santos, de 62 anos, da comunidade de Campo Limpo, no município de Santo Antônio do Tauá, a 56 quilômetros de Belém, no Pará. Ele trabalha numa cooperativa que planta e extrai espécies como priprioca, capitiú e estoraque para a empresa de cosméticos Natura. “Antes, aqui a gente fazia queimada para plantar feijão, arroz, mandioca. Agora, sabe que dá para o sustento da terra sem destruir”, diz. “Nossos filhos queriam sair daqui para buscar dinheiro nas cidades grandes. Agora, querem continuar nosso trabalho e preservar a natureza daqui.”

23/10/2014

EM GANA NÃO HÁ EBOLA, EMBORA CERCA DE 100 MIL MORCEGOS FRUGÍVOROS SEJAM COMIDOS POR ANO, COMO CARNE DE ANIMAL SELVAGEM, PELA POPULAÇÃO HUMANA


Em Gana,  os morcegos frugívoros testaram positivo para anticorpos contra o vírus do Ebola e henipaviruses, servindo assim, como um reservatório natural para o Ebola - e são utilizados como carne pelos humanos.

Autores:


Em dois estudos recentes realizados em Gana, reportamos quantas pessoas caçam morcegos para comida e dinheiro. Estimamos que mais de 100.000 morcegos frugívoros, especificamente o "palha colorido", são caçados a cada ano. A carne de morcego é importante fonte secundária de proteínas para os caçadores e as suas famílias, especialmente quando outras fontes tais como peixe ou antílope são escassos. Carne de morcego também alcança um preço bastante elevado em mercados, complementando a renda muitas vezes inconsistente de um caçador.

De todas as espécies de animais selvagens,  os morcegos apresentam questões complexas. O segundo mais diverso grupo de mamíferos depois de roedores, acolhem mais de 65 patógenos humanos conhecidos, incluindo o vírus Ebola, o coronavirus (a causa da SARS), o henipavirus (que pode causar encefalite mortal em seres humanos) e o vírus da raiva.

Os morcegos são um dos grupos de mamíferos mais vulneráveis à caça excessiva e destruição de habitat. Eles proporcionam indispensáveis funções ecológicas, tais como controle de pragas por morcegos que comem insetos, polinização e dispersão de sementes. 
A perda de morcegos, seja pela de caça ou controle de doença,quase certamente teria consequências de longo alcance e longa duração ecológicas e econômicas.

22/10/2014

CAOS FUNDIÁRIO NA AMAZÔNIA É HISTÓRICO

O Programa Terra Legal e o caos fundiário na Amazônia

Reproduzido de:

Por que o maior programa para reduzir o caos fundiário da Amazônia – e evitar mortes e desmatamento – só cumpriu 15% do objetivo


Uma das maiores tragédias da Amazônia é o caos fundiário na região. A floresta poderia gerar muita riqueza de forma sustentável, com a produção de madeira, de essências ou frutos, com turismo ou até com energia e mineração. Mas nada disso pode ocorrer de forma organizada e controlada quando não há segurança sobre quem é o dono e responsável pela terra. Um estudo de 2008 do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostrou que 32% das terras na região não tinham propriedade definida.

A confusão fundiária na Amazônia é uma herança histórica. São quatro séculos de ocupação territorial desordenada. Desde a política de distribuição das sesmarias do século XIX, a aquisição de terras na Amazônia tem sido feita por meio de posses. Os ciclos da borracha, a colonização do governo militar, a corrida do ouro nos anos 1980 e agora a expansão da pecuária envolveram apropriação irregular de terra pública.

O roubo de terra, batizado de grilagem, começa com a ação de madeireiras clandestinas. Elas retiram da floresta as árvores de maior valor comercial. Essa exploração, sozinha, não destrói a floresta, mas deixa a mata mais pobre. A terra sem dono atrai especuladores, que usam o dinheiro da madeira e do carvão para derrubar a mata, plantar capim e colocar gado na área desmatada. A pecuária cria uma aparência de terra produtiva e permite a falsificação de documentos de posse. Sem propriedade definida, são fadadas ao fracasso as tentativas de criar um modelo de economia sustentável na Amazônia.

Colocar ordem na floresta não tem sido tarefa fácil. Uma das esperanças é o programa Terra Legal, lançado em 2009 pelo governo federal. Quando surgiu, ele estava concentrado em 43 municípios amazônicos. Tinha como meta inicial entregar títulos de terra a 150 mil posseiros que ocuparam áreas públicas federais não destinadas a eles. Diferentemente dos grileiros, os posseiros são pequenos produtores, extrativistas, que usam a terra para plantar, sem intenção especulativa. O Terra Legal vem sendo executado em fases. Elas começam com identificação nos cartórios das glebas públicas, seguida pela medição com satélites (georreferenciamento) das terras, pela identificação dos ocupantes e pela definição do que fazer com a área. Em consulta a órgãos como a Funai, o Incra e o Ministério do Meio Ambiente, os agentes do programa determinam se é possível dar o título a quem lá cultiva ou faz extrativismo.


[Toda a matéria no link acima]

19/10/2014

RIO SÃO FRANCISCO: O PREÇO DO DESPREZO

Edição do dia 19/10/2014 - GLOBO RURAL

19/10/2014 09h00 - Atualizado em 19/10/2014 09h00

Pequenos produtores enfrentam dificuldade para sobreviver em MG

Eles estão cercados pela agricultura intensiva e o desmatamento.
Sem água, os produtores não têm produção agrícola nem capim.

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/10/pequenos-produtores-enfrentam-dificuldade-para-sobreviver-em-mg.html

Curto texto do vídeo que pode ser acessado no link acima:
"Estima-se que o desmatamento já atingiu dois terços da cobertura de cerrado no norte e noroeste de Minas Gerais. Quase tudo virou carvão para siderurugia. Depois, em muitas áreas, veio a ocupação intensiva com a agropecuária. Alguns grandes produtores da região foram procurados, mas não quiseram dar entrevista. Imagens aéreas mostram o crescimento do uso de pivôs. De 2012 para 2013, as permissões para a utilização da água na irrigação aumentaram 17%".