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6 de jul de 2015

A PARAÍBA COMO EXEMPLO NA PROBLEMÁTICA DO SANEAMENTO E DA ÁGUA, SOB A ÓPTICA DE UMA AUTORIDADE MUNDIAL

Reserva de água na Paraíba é crítica

Engenheiro Sérgio Rolim diz que fatores socioeconômicos agravam problema e que educação é a solução

LUIZ CARLOS SOUZA

A Paraíba ocupa hoje o penúltimo lugar no Nordeste em reserva anual de água renovável. A situação é considerada crítica, segundo o sanitarista Sérgio Rolim Mendonça, autor de mais de 60 projetos elaborados nas áreas de Abastecimento e Tratamento de Água Potável, Saneamento e Tratamento de Águas Residuais Domésticas e Industriais, Drenagem Urbana, Irrigação e Meio Ambiente. Ex-Assessor em Sistemas de Águas Residuais para a América Latina e o Caribe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Sérgio Rolim é Engenheiro Civil e Sanitarista, além de “Master of Science” em Controle da Poluição Ambiental pela Leeds University, Inglaterra. Nessa conversa com o Correio, ele analisa a situação brasileira na área sanitária, identifica problemas e propõe soluções, além de revelar dados alarmantes que o Brasil “precisará de 130 anos para chegar à universalização do saneamento, se continuar investindo no ritmo atual”.

A entrevista

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- PROFESSOR, ATÉ QUANDO AS GRANDES CIDADES VÃO SUPORTAR ESSA PRESSÃO PROVOCADA PELO CRESCIMENTO URBANO DESENFREADO NO QUE DIZ RESPEITO À QUESTÃO SANITÁRIA?

Para termos uma ideia desse crescimento basta observarmos que nascem aproximadamente 25 pessoas a cada minuto nos países desenvolvidos, enquanto que nos países subdesenvolvidos, nascem 240 pessoas por minuto (grandemente influenciados pela China e Índia). A população mundial já alcançou 7,3 bilhões de pessoas e poderá chegar à espantosa cifra de oito bilhões em 2025. O controle populacional é uma das maneiras de diminuir essa pressão.

- E O BRASIL?

Estima-se que o Brasil concentre entre 12 e 16% do volume total de recursos hídricos do planeta Terra e que um pouco mais de 50% dos recursos hídricos renováveis do mundo se encontrem na América Latina e no Caribe. Possui um dos maiores recursos hídricos renováveis do mundo (45.000 metros cúbicos anuais por habitante), embora 16,7% da área do país esteja situada no Semiárido no Nordeste. Entretanto, esses recursos não são distribuídos de forma homogênea e encontram-se ameaçados por fatores socioeconômicos diversos. A população brasileira atual é da ordem de 203 milhões de habitantes.

 - PARA O FUTURO, O QUE SE VISLUMBRA?

A sorte é que nosso país tem uma taxa de crescimento populacional muito baixa, menos de 1% ao ano, cuja população deverá decrescer depois do ano 2050, segundo projeções da ONU. Mesmo assim, precisará de 130 anos para chegar à universalização do saneamento, se continuar investindo no ritmo atual, de acordo com as últimas previsões.

- COMO ESTÁ A SITUAÇÃO DE SANEAMENTO NO BRASIL?

Segundo o último levantamento do Sistema Nacional de Informações (SNIS) com dados de 2013, 83% da população brasileira é abastecida por meio de rede de água e 49% possui rede coletora de esgotos. Nas áreas urbanas, só 69% dos esgotos é coletado e desse total somente 39% recebe tratamento adequado. Em termos absolutos, existem ainda nas áreas urbanas do país, 35 milhões de brasileiros sem acesso a água segura e 103 milhões de pessoas sem redes coletoras de esgotos. Quanto aos 31 milhões de habitantes das áreas rurais, existe muito pouca informação a respeito.

- E EM JOÃO PESSOA?

A população de João Pessoa conta atualmente com um pouco mais de 800 mil pessoas. O município é praticamente urbano, possuindo uma cobertura de abastecimento de água de boa qualidade que atende a 96% da população urbana, porém com apenas 49% da população servida com redes de esgotamento sanitário e só 29% do esgoto coletado razoavelmente tratado.

 - O QUE ACONTECERÁ COM A REDE DE ESGOTOS EM NOSSA CAPITAL DEVIDO À CONSTRUÇÃO DESENFREADA DE EDIFÍCIOS COM CERCA DE 50 ANDARES OU MAIS, PRÓXIMOS UNS DOS OUTROS?

As redes coletoras funcionam por gravidade. A partir de uma determinada profundidade (normalmente não deve exceder a quatro metros), o esgoto terá que ser bombeado para poder recuperar o nível inicial. Vai depender da topografia de cada cidade. João Pessoa, por ser uma cidade plana, necessita utilizar várias estações elevatórias de esgotos em série, para que as águas residuais cheguem ao destino final. A concentração urbana normalmente não prejudica o funcionamento dos coletores e emissários de esgotos. Os tubos têm bastante folga para esse grande acréscimo de vazão. O maior problema são as estações elevatórias. As bombas e motores são dimensionados para uma determinada vazão máxima.

- E SE A VAZÃO EXTRAPOLAR ESSE VALOR, DEVIDO À GRANDE CONCENTRAÇÃO DE HABITANTES EM UMA DETERMINADA ÁREA, O QUE ACONTECERÁ?

As elevatórias não poderão recalcar toda essa vazão, e parte desse esgoto sem nenhum tratamento poderá retornar para a rede coletora até chegar às residências, ir para as galerias de águas pluviais existentes ou poluir e contaminar diretamente um curso de água por meio de um extravasor (tubo instalado no poço de sucção da elevatória para evitar seu transbordamento por algum motivo). A solução técnica é bastante demorada e sua execução lenta e onerosa. Para que se tenha uma ideia da magnitude desse problema, a rede coletora de João Pessoa possui atualmente 63 estações elevatórias de esgotos.

- O QUE O SENHOR CONSIDERA COMO A PROVIDÊNCIA MAIS URGENTE A SER TOMADA NA ÁREA DE SANEAMENTO?

A administração de uma empresa eficaz deve ser efetuada por meio de metas e resultados. Atualmente, os diretores e gerentes são nomeados por grupos políticos de cada região, visando apenas interesses particulares e pessoais de cada um deles fazendo com que os funcionários de carreira não tenham a menor chance de influenciar (no bom sentido) no destino das empresas para as quais trabalham. Por outro lado, a grande maioria dessas empresas está inchada com o dobro dos recursos humanos que necessita; muitos deles não possuindo a mínima capacitação para seu trabalho. Infelizmente a meritocracia é muito pouco levada a sério na ocasião de nomear seus dirigentes pelos políticos de plantão.

- OS RIOS E OUTROS RECURSOS HÍDRICOS RESISTIRÃO A ESSE VOLUME, POR EXEMPLO, DE ESGOTO JOGADO DIARIAMENTE EM SUAS MARGENS?

Mais de 90% dos esgotos da América Latina e do Caribe são despejados sem nenhum tipo de tratamento nos rios, mares, lagos e terras agrícolas e cerca de pelo menos três milhões de hectares de terras agrícolas são irrigadas com águas residuais contaminadas com patógenos, gerando graves problemas de saúde pública e poluição ambiental. O Brasil gera diariamente mais de 200 mil toneladas de resíduos urbanos (lixo) e mais de 60% são despejados em lixões sem nenhum controle sanitário e muitos desses dejetos são lançados nos rios e mares. Menos de 40% dos resíduos sólidos são tratados em aterros sanitários.

 - COMO A POPULAÇÃO PODE COLABORAR PARA SE ENFRENTAR ESSE PROBLEMA?

Começa pela educação nas escolas. A partir dos primeiros anos escolares, as crianças devem ser orientadas continuamente a proteger o meio ambiente, a fazer uso eficiente da água, a depositar lixo em locais adequados, a proteger as florestas e bosques, incluindo a fauna e a flora, e aprender que, para compensar a natureza, as bacias e microbacias hidrográficas necessitam ser reflorestadas para ajudar a proteger as fontes de água.

- QUE INICIATIVAS PODERÃO AMENIZAR ESTA SITUAÇÃO?

Em Israel, por exemplo, o tratamento do esgoto é compulsório. O tratamento mais utilizado nas pequenas e médias cidades são os sistemas de lagoas de estabilização que são sistemas muito populares no país hebreu. Os ovos de helmintos e cistos de protozoários não são removidos por nenhum processo sofisticado de tratamento de esgotos. Entretanto, os sistemas de lagoas de estabilização são um dos métodos mais econômicos e eficazes que existem para tratar o esgoto doméstico nos países de clima tropical, cuja maior vantagem em relação aos outros tipos de tratamento é sua economia e a maior eficiência na redução, de maneira natural, desses patógenos.

- QUE EXEMPLOS ALGUMAS CIDADES, EM OUTROS PAÍSES, PODEM DAR NO TRATAMENTO DESSA QUESTÃO?

Atualmente cerca de 75% dos esgotos de Israel são reaproveitados para fins agrícolas. Trata-se da maior taxa de utilização de águas residuais tratadas no mundo. A Espanha, que ocupa o segundo lugar, utiliza apenas 12% de suas águas residuais tratadas na agricultura. Um excelente exemplo está na Argentina. Os efluentes dos sistemas de esgotos domésticos da cidade de Mendoza são tratados por um sistema de lagoas de estabilização com área de 2.300 hectares que irriga hortaliças, melões, árvores frutíferas, bosques, pastos, 120 hectares de alcachofra e 500 hectares de vinhedos, onde são produzidos inclusive, os excelentes vinhos tintos da famosa uva Malbec.

- A AGRICULTURA UTILIZA UMA ENORME QUANTIDADE DE ÁGUA NA IRRIGAÇÃO. DE QUE MANEIRA PODERÍAMOS DIMINUIR ESSE CONSUMO?

A agricultura usa cerca de 70% da água doce para irrigação e, sua maior parte, com muito desperdício. Irrigação por aspersão ou gotejamento, poderá diminuir esse alto consumo. Porém, cada metro cúbico de água usado pela indústria e pelo setor de serviços gera pelo menos 200 vezes mais riqueza do que um metro cúbico usado para agricultura. Com a grande escassez de água prevista principalmente nas regiões áridas e semiáridas do planeta, os recursos hídricos automaticamente serão direcionados para as áreas urbanas. A tendência no futuro deveria ser e “terá que ser”: água doce para as cidades e esgotos domésticos tratados para a agricultura. Mais cedo ou mais tarde teremos que usar o esgoto doméstico tratado na agricultura. O Semiárido do Nordeste agradecerá.

- COMO O REUSO NA AGRICULTURA POR MEIO DE ESGOTOS TRATADOS SERÁ POSSÍVEL SE NÃO HÁ INTERESSE DAS EMPRESAS DE SANEAMENTO?

 Até agora quase nada foi feito no Brasil para incentivar o reuso dos esgotos domésticos tratados na agricultura. A natureza não respeita fronteiras políticas, por isso, deve haver integração ao nível dos ecossistemas e as ações intersetoriais necessitam de novos enfoques para legislação, orçamento e finanças, além de desenvolvimento de recursos humanos. Para a melhoria da saúde ambiental as ações necessitam começar desde o nível da comunidade e ser construído de baixo para cima, de modo que as decisões sejam baseadas na avaliação, prevenção e redução de riscos ambientais para a saúde humana. Só existe uma maneira de atacar esse problema. Por meio de alianças. Os setores de Saúde e Ambiente devem trabalhar juntos e sempre em conjunto com outros setores, especialmente energia, indústria, agricultura e infraestrutura. Para isso, alianças com a sociedade civil e o setor privado são essenciais para que haja sinergia e recursos necessários para ações integradas.

- COMO ESTÁ SITUADA A PARAÍBA EM RELAÇÃO ÀS SUAS RESERVAS DE ÁGUA?

A Paraíba cuja reserva anual de água renovável é estimada em 1.400 m3 por pessoa, ocupa o penúltimo lugar no Nordeste. Considera-se que uma determinada região está com “água no limite” quando a reserva anual de água renovável está abaixo de 1700 m3 por pessoa. Nesse caso, a situação da Paraíba é considerada crítica.

- ALÉM DA QUESTÃO SANITÁRIA TEMOS O PROBLEMA DA SECA, O QUE AGRAVA MAIS AINDA A QUALIDADE DA ÁGUA. A TRANSPOSIÇÃO DE ÁGUAS, COMO A DO SÃO FRANCISCO, É A MELHOR SOLUÇÃO?

No polígono das secas no Nordeste, a dimensão do problema é ressaltada por um anseio, que já existe há 75 anos, com a transposição do Rio São Francisco, visando o atendimento da demanda dos estados não limitados com a região semiárida, situados ao norte e a leste de sua bacia de drenagem. O estudo para a transposição do rio São Francisco tem gerado muita polêmica. Embora não seja especialista no assunto, creio que a implantação influenciará consideravelmente na melhoria da qualidade de vida do povo nordestino.

A grande vantagem é que muitos municípios poderão contar, a partir dessa nova oferta hídrica, com a implantação de serviços de abastecimento de água e sistemas adequados de esgotos sanitários para a população urbana.

- EXISTE ALGUM PROGRAMA EM CURSO ORIENTADO PARA A REUTILIZAÇÃO DE ÁGUAS DE ESGOTOS TRATADAS NO NORDESTE?

Já existe na Bahia uma proposta de programa para a revitalização do Rio São Francisco (PRSF). Depois de concluída a transposição, esse programa deverá incluir:

a) ampliação da oferta de água para a irrigação;
b) implementação de projetos de reuso em escala plena;
c) incentivo de desenvolvimento e pesquisas sobre o tema; d) geração de emprego e renda;
e) redução de custos de tratamento de efluentes;
f) contribuição com a Política Nacional de Agroenergia.


- QUANDO SERÁ LANÇADO SEU PRÓXIMO LIVRO?

No final de novembro será lançado pela editora paulista Edgard Blücher, nosso oitavo livro técnico intitulado “Sistemas Sustentáveis de Esgotos”. Nele estão incluídos detalhes de engenharia e de gestão de como utilizar esgotos sanitários tratados para irrigação na agricultura por meio de lagoas de estabilização.

- QUE MENSAGEM O SENHOR DIRIGIRIA PARA AS NOVAS GERAÇÕES?

Gostaria de passar para as futuras gerações o resumo de uma historinha que li há muito tempo. “Seria tão bom se pudéssemos acordar um dia em uma manhã ensolarada e passear embaixo das árvores, observando os pássaros e caminhando ao lado de arroios cristalinos e, cada vez mais, nos sentíssemos pessoas de sorte. Nossos pais nos contaram histórias sobre os velhos tempos, antes que a humanidade aprendesse a proteger a terra e a água, e a utilizar o poder do vento e do sol. Eram tempos obscuros quando os bosques morriam, os rios secavam e milhões de pessoas morriam de fome. Não há mais necessidade de pensar nisso agora. É tão bom estarmos vivo”.

Transcrito do jornal:

“Correio da Paraíba”, Entrevista, Paraíba Domingo, 05 de julho de 2015 / A7 

1 de jul de 2015

ALGUNS DIZEM QUE ISSO ACONTECE POR "NECESSIDADE DE SOBREVIVÊNCIA". MAS OUTROS DIZEM QUE É "PARA COMPRAREM CELULAR E MOTO"!!!

Desmatamento avança na Reserva Extrativista do Alto Juruá
Vandré Fonseca - 29/06/15



Estudo com 80 famílias de 15 comunidades da Resex Alto Juruá, no Acre, aponta desmatamento em aceleração. A Unidade de Conservação de Uso Sustentável ocupa 538 mil hectares (área pouco menor do que o Distrito Federal), perto da fronteira com o Peru. Criada em 1990, foi a primeira reserva extrativista do país.

O autor do trabalho é Josimar Silva Freitas, doutorando em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, pela Universidade Federal do Pará. A razão do fracasso, segundo ele, é a falta de investimentos do governo federal: "Tudo é muito teórico, mas o estado é ausente em todos os aspectos".

As informações obtidas por Freitas indicam que o modelo funcionou bem até 1997, enquanto recebeu recursos do PPG-7 (Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil), financiado pelo Banco Mundial. Mas, desde então, os investimentos minguaram.

O pesquisador defende a ideia de que para salvar a floresta é preciso primeiro atender as necessidades da população. Quando isso não acontece, o meio ambiente paga a conta. "As pessoas hoje estão criando gado e retirando madeira ilegalmente, sem fiscalização", diz. "É uma decisão de sobrevivência".

Já a bióloga Rita Mesquita, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), acredita que a opção por atividades que causam desmatamento se deve à falta de uma política de valorização de produtos extrativistas: "O problema está nos incentivos que determinadas atividades econômicas, como a pecuária, ganham e que não são dados aos produtos da floresta".

Dados de desmatamento do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) indicam que 2,81% da Resex do Alto Juruá haviam sido desmatados até 2013, o equivalente a 15,8 mil hectares. A maior parte das perdas ocorreu após 1997, e os maiores incrementos na área desmatada ocorreram nos anos 2000 e 2010, respectivamente 0,43% e 0,33% do total da cobertura florestal.

27 de jun de 2015

ÁGUA SUBTERRÂNEA: EM CONTÍNUO PROCESSO DE "SAI MAIS DO QUE ENTRA". ATÉ QUANDO?


Um exemplo brasileiro: o aquífero Guarany - acesse o link https://youtu.be/zhqBXvBcBMQ


Um novo estudo da Universidade da Califórnia, em Irvine, observou os 37 maiores aquíferos do mundo usando dados da NASA e de outros indicadores. Cada aquífero recebeu um nível limite de água subterrânea, medindo a capacidade total do aquífero e as comparando com os menores níveis atingidos. Um terço dos aquíferos — que providenciam alimento e água para dois bilhões de pessoas — se esgotam a níveis acelerados. Pelos menos oito destes aquíferos são classificados como muito estressados, o que significa que eles perdem água com uma maior velocidade.

Uma parte do estudo estima que o aquífero do noroeste do Sahara — uma fonte gigante de água subterrânea, que cobre a maior parte do norte da África — pode cair para até 90% de seu uso total em 50 anos.

>>> Que fim levou o Aquífero Guarani, o super reservatório de água brasileiro? (Acesse o link mostrado no início)

>>> Situação do sistema Cantareira em janeiro é pior do que a projeção mais pessimista da Sabesp

Em muitos casos, práticas agrícolas são as principais responsáveis por essa queda, uma fez que aquíferos são gastos para alimentar populações em constante crescimento; cerca de 20% de todos os alimentos são mantidos com água de aquíferos. Agora, junte este fato com a falta de chuva em muitas áreas que não recebem água do aquífero rápido o suficiente para reabastecer a que foi gasta. Indústrias, como a produção de óleo, também levam a culpa por extrair água subterrânea como parte de seu processo de extração. E isso não significa apenas que teremos menos água para usar. Perder água subterrânea é ruim por outras razões: ela mata árvores, faz o chão afundar e pode até fazer a estrutura do aquífero entrar em colapso.

Já falamos antes sobre o satélite de Recuperação de Gravidade e Experiência Climática da NASA, que pode medir água subterrânea ao averiguar a atração gravitacional de uma região. Mas como mencionam os estudos, estes dados não são precisos — cientistas ainda precisam compará-los com dados colhidos no local. O problema em um lugar como a Califórnia, por exemplo, é que fazendeiros ainda não são obrigados entregar relatórios da quantidade de água do aquífero que eles usaram durante todo o ano. E depois de uma série de anos secos, eles talvez só saibam o quanto foi gasto quando já for muito tarde. [Water Resources Research via New York Times]

O post O planeta está perdendo água subterrânea de forma alarmanteapareceu primeiro em Gizmodo Brasil.


26 de jun de 2015

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: ALVO CONTÍNUO DE QUEIMADAS

Queimadas em Unidades de Conservação dobram no primeiro semestre de 2015
Paulo André Vieira - 25/06/15

Reproduzido de www.oeco.org.br


O Brasil está queimando mais em 2015, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número de focos de queimadas e incêndios florestais dentro de Unidades de Conservação federais e estaduais no primeiro semestre mais que dobrou em relação ao mesmo período de 2014. Este ano já foram identificados 10.036 focos de incêndio no período entre 1º de janeiro e 22 de junho de 2015, enquanto em 2014 havia 4.798, um aumento de 109,23%.

Uma das razões para isso pode ser encontrada nas águas do Pacífico Equatorial, que este ano estão mais quentes do que a média. Este é um dos sinais de que o clima em 2015 está sob a influência do El Niño. O fenômeno muda os padrões de vento, afetando os regimes de chuva em regiões tropicais e causando uma temporada de seca mais quente do que o normal.

Tocantins, Maranhão e Bahia foram os estados com o maior número de focos de incêndio em Unidades de Conservação tanto em 2014 quanto em 2015. Para se ter uma ideia de como a situação em 2015 é preocupante, apenas dois estados, São Paulo e Distrito Federal, apresentaram uma redução no número de focos de incêndio, como é possível observar na tabela a seguir:


O Cerrado queima

Nos meses analisados, o bioma com o maior número de focos de incêndio em UCs foi o Cerrado, com 4.423, seguido pela Mata Atlântica, com 2.569. Com exceção do Cerrado, que aumentou em cerca de 58% o número de focos, nos demais biomas eles mais do que dobraram de um ano para o outro.



20 de jun de 2015

SE TAIS EXPLORAÇÕES EM ÁREAS DE PROTEÇÃO CONTINUAM EXISTINDO É PORQUE OS INFRATORES SABEM QUE O RISCO VALE A PENA!!!

Reproduzido de www.oeco.org

Agentes ambientais do Ibama desmantelaram na semana passada um garimpo ilegal no Parque Nacional do Jamanxim, em uma área de 17,5 hectares, no município de Itaituba, no Pará. O proprietário do garimpo foi preso e multado em R$50 mil. A pena por causar danos diretos a Unidades de Conservação é de 1 a 5 anos de reclusão.

No local havia 2 retroescavadeiras avaliadas em 450 mil reais cada uma, 4 motobombas, 2 geradores, além de 18 pessoas que trabalhavam no local. O equipamento foi todo destruído diante da impossibilidade do Ibama retirá-lo ou mantê-lo sob guarda.

A ação integra as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia, em especial na região de Novo Progresso (PA). Por meio de levantamento prévio de informações realizado pela Gerência do Ibama de Santarém, duas equipes se dirigiram ao Parque Nacional do Jamanxim, onde confirmaram a atividade ilegal de extração de ouro.

Durante a ação, os agentes ambientais se depararam com uma grande estrutura onde havia mantimentos para muitas semanas de trabalho, além de oficina mecânica, 2 geradores de grande potência e equipamentos domésticos. A área de extração, próxima ao acampamento, tinha duas grandes cavas abertas, sendo que em uma delas os equipamentos estavam em pleno funcionamento.

Além do crime ambiental cometido dentro de uma área de proteção integral, na qual não é permitido sequer haver moradores, o dono do garimpo aliciava pessoas e não cumpria suas obrigações trabalhistas e previdenciárias, além de condições insalubres para a mão-de-obra, que não utilizava Equipamentos de Proteção Individual (EPI), mesmo lidando com mercúrio, um metal altamente tóxico . A divisão dos lucros se dava da seguinte forma: 85% para o proprietário e o restante para os trabalhadores.

Segundo a coordenadora de operações de fiscalização do Ibama, Maria Luiza Souza, as prefeituras são grandes parceiras do órgão na luta para manter a floresta amazônica em pé. Contudo, algumas delas não compreendem a importância dessa parceria e dificultam o trabalho do órgão. Em alguns casos, devolvem o maquinário apreendido aos proprietários antes mesmo da conclusão dos processos administrativos.

Um exemplo é a prefeitura de Novo Progresso, considerado o município mais desmatador do Pará, que encaminhou ofício ao comando do Ibama local informando que não receberá nenhum bem apreendido pelo órgão em suas operações. “As dificuldades não atrapalharão nosso trabalho, ao contrário, nos motivarão a fazê-lo com mais energia”, afirmou Maria Luiza.

Em nota, o Ibama informou que suas ações continuarão em toda a região amazônica.

18 de jun de 2015

MAIS UMA VEZ: AUMENTO DO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA

Recebido do IMAZON
Em maio de 2015, o SAD detectou 389 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal com uma cobertura de nuvens de 39% do território. Isso representou um aumento de 110% em relação a maio de 2014 quando o desmatamento somou 185 quilômetros quadrados e a cobertura de nuvens foi de 38%.
 
Em maio 2015, o desmatamento ocorreu no Amazonas (27%) e Mato Grosso (27%), seguido pelo Pará (23%) e Rondônia (21%) e, em menor proporção, Roraima (11%).
 
O desmatamento acumulado no período de agosto de 2014 a maio de 2015, correspondendo aos dez primeiros meses do calendário de medição do desmatamento, atingiu 2.286 quilômetros quadrados. Houve aumento de 170% do desmatamento em relação ao período anterior (agosto de 2013 a maio de 2014) quando atingiu 846 quilômetros quadrados.
 
As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 33 quilômetros quadrados em maio de 2015. Em relação a maio de 2014 houve uma redução de 79%, quando a degradação florestal somou 159 quilômetros quadrados.

17 de jun de 2015

CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS: A QUESTÃO DA ÁGUA NO NORDESTE

www.cgee.org.br/publicacoes/agua_nordeste.php

Acesse o link acima e obtenha em pdf esta publicação do CENTRO DE GESTÃO E ESTUDOS ESTRATÉGICOS