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6 de fev de 2016

O MOSQUITO AEDES AEGYPTI, GENETICAMENTE MODIFICADO, TORNOU-SE UMA "CAIXA PRETA" DO VÍRUS ZIKA???

Um artigo-reportagem publicado no The Ecologist (http://www.theecologist.org/News/news_analysis/2987024/pandoras_box_how_gm_mosquitos_could_have_caused_brazils_microcephaly_disaster.html)

traz, no meu entendimento, uma enorme preocupação sobre a possibilidade de que a modificação genética do Aedes aegypti causou um aumento da virulência do zika, tornando-o amplamente maléfico ao ser humano.


Vejamos alguns trechos desse artigo-reportagem (com citações de vários artigos esclarecedores).

In Brazil's microcephaly epidemic, one vital question remains unanswered: how did the Zika virus suddenly learn how to disrupt the development of human embryos? The answer may lie in a sequence of 'jumping DNA' used to engineer the virus's mosquito vector - and released into the wild four years ago in the precise area of Brazil where the microcephaly crisis is most acute.

Na microcefalia epidêmica no Brasil, permanece uma questão vital não esclarecida: como o vírus zika repentinamente aprendeu a perturbar o desenvolvimento de embriões humanos? A resposta pode residir numa sequência de "jumping DNA" [= ver a seguir] utilizado para a engenharia do mosquito vetor do vírus  -  e que foi liberado no ambiente silvestre quatro anos antes, exatamente nas regiões do Brasil onde a crise da microcefalia é mais aguda.

["Jumping DNA":   Barbara McClintock mostrou que certos fragmentos de DNA, chamados transposons, podem ser ativados para transpor ("jumping" = saltar) de uma posição para outra, em um cromossomo. Ela lançou a hipótese de que tal transposição fornece um meio de reorganizar rapidamente os genes em resposta ao estresse ambiental].

o autor mostra a relação entre "o epicentro do surto do zika na mesma área onde os mosquitos geneticamente modificados foram soltos em 2015" (figura abaixo).


E agora, alguns comentários do artigo-reportagem,  que penso ser muito importantes.  Diz respeito a um transposon bastante utilizado em terapia gênica humana e que foi utilizado pela empresa Oxitec, que modificou geneticamente os mosquitos que foram soltos em Juazeiro (BA): o transposon "piggyBac".
O transposon piggyBac tem sido utilizado em terapia gênica humana. Até células humanas T (do sistema imunológico) têm sido transformadas pelo piggyBac. Isso nos deixa poucas dúvidas de que os transgênicos originados do transposon no mosquito transgênico, possa transferir-se horizontalmente para células humanas. Esse transposon piggyBac induziu no genoma amplas mutaçōes por inserçāo, rompendo muitas funções gênicas.

"Has the GM nightmare finally come true"?  = Finalmente, o pesadelo do gene geneticamente modificado tornou-se realidade?

O Aedes egypti geneticamente modificado pela Oxitec utilizou o piggyBac.

E assim sendo, os mosquitos geneticamente modificados carregaram grande possibilidade de serem responsáveis pelos problemas de microcefalia no Brasil. Pelos mecanismos seguintes:

1. Milhões de mosquitos soltos em Juazeiro, em 2011/12, sobreviveram.

2. Eles cruzaram com as populações de mosquitos silvestres.

3. O transposon piggyBac no Aedes aegypti geneticamente modificado, teve a oportunidade de "saltar" para o vírus zika, em inúmeras ocasiões, provavelmente.

4. Certas linhagens de zika, com mutações, adquiriram vantagem seletiva, tornando-se mais virulentas e capazes de penetrar e alterar o DNA humano.

5. Uma maneira na qual isso se manifesta é a alteração no desenvolvimento do embrião humano no útero. Outras manifestaçòes ainda estão por serem descobertas.

6. É bem possível que o próprio piggyBac transposon tenha penetrado no DNA dos bebês (embriões)  expostos ao vírus zika modificado; tendo sido  assim uma forma de perturbação do mecanismo do desenvolvimento embrionário.


O artigo-reportagem divulgado em The Ecologist (link no topo desta postagem) esclarece muitos outros pontos desta questão de grande importância para nossas vidas, nestes tempos em que o entusiasmo com as possibilidades biotecnológicas de solução de nossos problemas com microrganismos causadores de doenças, parecem atropelar o bom senso que deveria prevalecer com respeito aos milhões de anos da evolução do genoma que queremos manipular em alguns anos ou dias num laboratório.

Uma temeridade!!!




4 de fev de 2016

FLORESTA SECUNDÁRIA (NA AMAZÔNIA, MATA ATLÂNTICA) ABSORVE MAIS CO2. MUITO CUIDADO COM OS EFEITOS SOBRE OUTROS FATORES CRUCIAIS: CLIMA, SOLO, BIODIVERSIDADE...

Floresta regenerada é esponja de carbono

Reproduzido de www.oeco.org.br


As florestas secundárias, que rebrotam após o desmatamento de uma área, são conhecidas pelo nome algo pejorativo de capoeiras. A palavra vem do tupi e significa, literalmente, “mato que não é mais”. Vistas como pobres em biodiversidade e jamais tão ricas em estoque de carbono quanto uma floresta primária – a tal “mata virgem”–, as capoeiras são frequentemente desprezadas e outra vez desmatadas. Um estudo lançado hoje, porém, deve ajudar a reduzir esse preconceito.

Um consórcio internacional de cientistas, que inclui gente de diversas instituições de pesquisa do Brasil, acaba de publicar no periódico Nature a maior análise já feita sobre o padrão de crescimento das florestas secundárias na chamada região neotropical, que vai do México ao Estado de São Paulo. Eles concluíram que as capoeiras demoram, em média, apenas 66 anos para repor 90% da biomassa (portanto, do estoque de carbono) que possuíam antes do desmatamento. E mais: uma floresta em regeneração sequestra 11 vezes mais carbono do que uma mata virgem na Amazônia.

“Esta é a primeira estimativa da resiliência das florestas secundárias. Sempre houve muita dúvida sobre a taxa de crescimento e a resiliência dessas florestas”, disse ao OC o engenheiro florestal Daniel Piotto, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia. Ele é coautor do trabalho, coordenado pelo holandês Lourens Poorter, da Universidade de Wageningen.

A importância das capoeiras da América Latina para o ciclo do carbono e, portanto, para o clima, é evidente. Somente na Amazônia, 22% de toda a área desmatada é ocupada por matas em regeneração, segundo dados do Terraclass, do Inpe. Esse número é provavelmente ainda maior na Mata Atlântica, que tem menos de 10% de sua cobertura florestal original.

No entanto, essa importância nunca havia sido traduzida em números antes. Estudos pontuais mostravam ora que as florestas poderiam entrar em colapso a partir de um certo grau de desmatamento, ora que o crescimento de uma floresta secundária era lento demais para fazer alguma diferença no clima no curto prazo.

“Meus estudos na Zona Bragantina, no leste do Pará, mostravam um tempo de recuperação de 150 anos. Estudos feitos na Venezuela chegavam a 250 anos. A meta-análise [o novo estudo] aponta 66 anos”, diz Ima Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma das maiores especialistas em florestas secundárias do país. Ela também é coautora do trabalho, realizado pelo consórcio autointitulado Amantes da Floresta Secundária – ou “2ndFOR” (“SecondFor”, em inglês), para os menos íntimos.

Os dados anteriores não estão necessariamente errados. O que acontece é que há uma variação gigantesca de tempo de regeneração dentro da zona neotropical, com capoeiras crescendo mais rápido em regiões onde chove mais e onde há mais florestas intactas em volta.

“De posse dessa taxa de crescimento, será possível fazer previsões sobre o potencial de mitigação [de emissões de gases de efeito estufa] das florestas secundárias”, afirma Piotto. O 2ndFOR já está fazendo essas contas.

MAPA

O consórcio integrou tanto dados coletados pelos pesquisadores em campo quanto resultados de análises anteriores, e produziu um mapa mostrando em que regiões as capoeiras absorvem mais carbono e onde absorvem menos. O mapa poderá ser usado pelos formuladores de políticas públicas para priorizar a conservação em florestas de baixa resiliência e incentivar a regeneração em regiões de crescimento rápido da capoeira.

A princípio a notícia é ruim para a Mata Atlântica, já que sua reposição de biomassa é até 70% mais lenta que na Amazônia – e é justamente ali que há mais florestas precisando de regeneração. Piotto diz que isso seria olhar apenas metade do quadro. “Há muito mais áreas disponíveis para recuperar na Mata Atlântica do que na Amazônia”, afirma.

O estudo deverá ter também implicações para o cumprimento da meta do Brasil para o Acordo de Paris. A chamada INDC aposta na recuperação de florestas como forma de sequestrar carbono e compensar o que se emite pelo desmatamento legal na Amazônia. O leste do Pará é uma das regiões onde mais vale a pena deixar o mato crescer.

Mas isso só se deixarem mesmo o mato crescer. “Se essas florestas vão resistir no campo depende de questões políticas e institucionais que vão além da nossa pesquisa”, afirma Ima Vieira. “No que depender dos produtores rurais, não vão, porque eles as veem como empecilho.”

O Pará é o único Estado da Amazônia que tem uma lei que protege as capoeiras, definindo estágios de sucessão (crescimento) e vedando o desmatamento em capoeiras de crescimento avançado.

Mesmo no Pará, Vieira estima que 50% das capoeiras sejam recentes – portanto, passíveis de desmatamento legal.

Segundo a pesquisadora, preservar as florestas secundárias é importante, mas fundamental mesmo é não desmatar as primárias. “A capoeira não vai recuperar a biodiversidade”, diz. “Elas levam 66 anos em média para recuperar 90% da biomassa, mas 70 anos para recuperar 35% das espécies de árvores nativas.”


22 de jan de 2016

CONTRIBUIÇÃO DAS RESERVAS INDÍGENAS TROPICAIS MUNDIAIS NA ABSORÇÃO DO CARBONO

Terras indígenas guardam 20% de todo o carbono das florestas tropicais





“Talvez se usarmos a ciência, eles nos escutarão”. A frase é de Juan Carlos Jintiach, da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), e revela o esforço, sem precedentes, feito por lideranças indígenas de quatro regiões de florestas tropicais do mundo para se fazer escutar pelos negociadores do acordo climático, em Paris.

Organizações indígenas da Amazônia, Congo, Indonésia e da Mesoamérica aliaram-se a cientistas e ONGs ambientalistas para conduzir um estudo que revela que os territórios indígenas guardam 168,3 gigatoneladas de CO2 – ou 20,1% de todo o carbono das florestas tropicais juntas. O estudo foi lançado no último sábado, 5/12, em um evento no Pavilhão Indígena da Conferência do Clima de Paris (COP 21).

Intitulado “Os estoques de carbono florestal tropical em territórios Indígenas: uma análise global”, o estudo mostra que cerca de 9% do carbono florestal nas regiões analisadas estão em territórios indígenas que ainda não possuem reconhecimento oficial dos governos. Se essas florestas fossem destruídas, aproximadamente 76,4 gigatoneladas de CO2 seriam emitidas, quase 1,5 vezes as emissões de gases efeito estufa de todo o planeta em 2014.

Abdon Nababan, secretário geral da Aliança dos Povos Indígenas do Arquipélago da Indonésia (Aman), uma das organizações que apresenta o estudo, discursou no evento de lançamento do documento. “Conservando a floresta, nós não apenas estamos salvando vidas indígenas, mas também as suas vidas, onde quer que você viva”, disse.

“Estou muito feliz em ver o resultado desse estudo. Nós somos capazes de proteger nossos territórios. É o reconhecimento dos nossos direitos territoriais que vai permitir que a gente continue praticando nossas culturas e proteja esses territórios”, declarou Joseph Itongwa, diretor da Rede de Populações Indígenas e Locais para a Gestão Sustentável dos Ecossistemas Florestais na África Central (REPALEAC).


No país de Itongwa, a República Democrática do Congo, nenhum território indígena é oficialmente reconhecido pelo governo. Por isso, as lideranças reivindicam o reconhecimento dos seus direitos territoriais como a condição “número 1” para continuar atuando na mitigação dos impactos das mudanças climáticas.

Contribuições indígenas ao Acordo de Paris

Cándido Mezúa, líder indígena da Aliança Mesoamericana de Povos e Florestas (AMPB), também destacou o papel do estudo para demonstrar que os indígenas devem ser levados a sério nas negociações. “Se a decisão estivesse nas mãos dos povos indígenas, nós já teríamos parado o desmatamento,” afirmou.

Além das reivindicações territoriais, os indígenas insistem que suas contribuições para mitigar a mudança climática sejam reconhecidas nas metas apresentadas pelos governos à Conferência do Clima, as INDCs, sobretudo em relação ao setor florestal.

“Espero que essa informação científica que eu e meus colegas provemos sirva para que os povos indígenas possam contribuir para a construção de um acordo global sobre mudanças climáticas em Paris”, afirmou Wayne Walker, um dos responsáveis pela pesquisa no Woods Hole Research Center (WHRC), durante sua apresentação no Instituto de Altos Estudos Latino-Americanos (IHEAL), da Universidade Sorbonne, nessa segunda-feira (7/12).

Durante a última semana, as lideranças presentes no “Caucus” dos Povos Indígenas, da Convenção do Clima da ONU, fizeram um trabalho intenso de articulação política e de convencimento de negociadores oficiais para incluir suas demandas pela inclusão dos direitos indígenas e dos seus conhecimentos tradicionais no acordo de Paris. Esse trabalho continuará na segunda semana da COP 21

Na Amazônia, 32,8% do carbono está em Tis

A base o estudo lançado agora foi outro, divulgado em 2014, que revelou a quantidade de carbono e as ameaças à conservação de florestas e territórios indígenas na Amazônia.  Conduzido por uma articulação entre o ISA, a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg), a Coica, o Environmental Defense Fund (EDF) e o próprio Woods Hole, esse estudo anterior mostrou que 32,8% do carbono da Amazônia está em Tis, mas também que 22,2% desse total está em territórios não reconhecidos oficialmente

“Estudos como este reforçam que, devido ao carbono que existe em Tis, as intervenções de reduções de emissões que ocorrem nesses territórios devem ter como foco as iniciativas de gestão territorial dos próprios povos indígenas”, avalia Jorge Furagaro, liderança da COICA.  Para ele, a ideia fundamental é transformar a visão atual de desenvolvimento econômico associado ao desmatamento para um novo paradigma, em que se valorize a floresta em pé.  Para isso é preciso criar alternativas econômicas para os povos da floresta e garantir o acesso direto aos fundos climáticos por parte de organizações indígenas.

Por: Juliana Splendore e Tatiane Klein
Fonte: ISA

21 de jan de 2016

MICROCEFALIA: DIANTE DE TÃO SÉRIO PROBLEMA RELACIONADO AO FUTURO DE MUITOS BRASILEIROS, O MINISTRO DA SAÚDE "AGE FAZENDO GRACINHA"

Casos suspeitos de microcefalia associada ao zika chegam a 3.893

Foto acima reproduzida de BBC News: "Bebês nascidos com cabeças de menor diâmetro poderão enfrentar dificuldades por toda a vida".

Os casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus zika subiram de 3.530 para 3.893, de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (20) pelo Ministério da Saúde. O dado atualizado considera os casos desde 22 outubro de 2015, quando começou o monitoramento de microcefalia no Brasil, até 16 de janeiro deste ano.

Dos 3.893 casos notificados, o Ministério da Saúde informou que 230 tiveram confirmação de microcefalia, outros 282 foram descartados. Os demais 3.381 casos continuam em investigação.

O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, apontou que o número de casos confirmados e descartados é semelhante. “Isso ainda não é uma projeção, mas serve como referência para entender o que está acontecendo”, afirmou.

O número anterior havia sido divulgado na semana passada e correspondia aos casos registrados até 9 de janeiro deste ano.

A microcefalia é um quadro em que bebês nascem com o cérebro menor do que o esperado (perímetro menor ou igual a 32 cm) e que compromete o desenvolvimento da criança em 90% dos casos. As causas exatas do surto no Brasil ainda estão sendo investigadas, mas há fortes evidências de que o zika vírus tenha relação com o surto.

Ele circula no país desde maio do ano passado e uma das hipóteses é que chegou aqui junto com turistas que vieram para a Copa do Mundo. Os casos de microcefalia coincidem com áreas em que o vírus circulou no ano passado.

O vírus zika é transmitido especialmente por mosquitos infectados, principalmente o mosquito da dengue, o Aedes aegypti. A maioria das pessoas não tem sintomas, mas quando surgem são principalmente erupções na pele, olhos vermelhos e dores no corpo. Eles desaparecem em até uma semana, em geral.

Em novembro, o governo declarou estado de emergência em saúde pública no país por causa do aumento de casos de microcefalia no Nordeste.

Estados – Os dados divulgados nesta quarta se referem a notificações feitas em 764 municípios de 21 unidades da federação. De acordo com o Ministério da Saúde, Pernambuco segue como o estado que apresentou o maior número de casos suspeitos: são 1.306, o que representa um terço do total registrado no país. Em seguida, estão a Paraíba, com 665, e a Bahia, com 496.

Carnaval – Cláudio Maierovitch afirmou que o “esforço concentrado” dos governos deve servir para interromper a proliferação do zika nos próximos meses. Sobre o aumento da circulação de pessoas no país durante o período do Carnaval, inclusive para estados em que existem os maiores números de casos suspeitos, como Pernambuco e Bahia, ele afirmou que pessoas com o vírus já foram identificadas em “praticamente todos os estados”.

“A circulação grande de pessoas pelo país não deve ter impacto muito grande porque o vírus já está circulando”, disse. “O que pode acontecer é que algumas pessoas que estão em lugares com muito pouco mosquito podem adquirir em algum outro lugar, mas não muda a vulnerabilidade do estado. O contato já existe”.

Para especialistas, a passagem de milhares de turistas por capitais com tradicionais carnavais de rua em estados com alto número de casos de bebês nascidos com microcefalia e suspeita de ligação com o zika vírus pode representar um “coquetel explosivo” e ajudar a espalhar ainda mais a doença pelo país.

Mosquito transgênico – Questionado sobre o uso de mosquito geneticamente modificado para ajuda a eliminar o Aedes aegypti, Maierovitch disse que, neste momento, não há possibilidade de essa tecnologia ser usada “como a grande medida de controle para impacto nacional”.

Segundo ele, os próprios pesquisadores indicaram que hoje não haveria estrutura para uma ação que desse cobertura a uma cidade do tamanho de Recife (PE), por exemplo. “O que conseguimos saber até agora é que existe a possibilidade de que a utilização do mosquito transgênico se confirme no futuro como instrumento para controlar a população de Aedes, mas a dimensão, a magnitude dos modelos experimentais feitos ainda é pequena”, afirmou.

Prevenção – O Ministério da Saúde recomenda que as gestantes adotem medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doença, com a eliminação de criadouros. O governo também recomenda que as mulheres grávidas mantenham portas e janelas fechadas, usem repelente para gestantes e vistam calça e camisa de manga comprida para evitar a exposição aos mosquitos. (Fonte: G1)

12 de jan de 2016

TRAGÉDIA DE MINAS GERAIS: INFELIZMENTE, NEM TODAS AS LIÇÕES SÃO APRENDIDAS

Reproduzido de http://www.oeco.org.br/colunas/colunistas-convidados/de-mariana-a-abrolhos-a-pedagogia-da-lama-em-dez-licoes/

De Mariana a Abrolhos, a pedagogia da lama em dez lições


Desde o dia 5 de novembro do ano passado, temos uma inusitada professora a nos dar lições sobre como o meio ambiente é tratado no Brasil: trata-se da lama despejada no Rio Doce por causa do rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais.

primeira das lições que a lama nos deu é sobre o licenciamento ambiental. Esse processo, fragilizado e negligenciado ao longo dos últimos anos, é o cerne do desastre de Mariana. Ali, o licenciamento ambiental foi, mais uma vez, desrespeitado e as condicionantes que deveriam ser cumpridas, como o estabelecimento de um plano de emergência, foram deixadas de lado. Apenas uma amostra do que vem acontecendo pelo país afora. Como se isso fosse pouco, há iniciativas tramitando no Congresso Nacional que fragilizam ainda mais o licenciamento ambiental, como o projeto de lei do Senado (PLS) nº 654/2015, que cria um procedimento acelerado e simplificado para o licenciamento de grandes obras, como hidrelétricas, estradas, ferrovias, portos e instalações de telecomunicações.

segunda lição da lama versa sobre o descumprimento histórico dos códigos florestais, tanto o que estava em vigor até 2012 como o novo código. A região da Bacia do Rio Doce estava, já antes da passagem da lama, muito degradada: Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais não vinham sendo respeitadas há anos, como tem sido a regra em diversas partes do Brasil. O resultado se traduzia em muitas áreas desmatadas, o comprometimento da recarga dos aquíferos da região e o assoreamento dos rios, elementos que dificultam a regeneração dos danos ambientais produzidos pelo rompimento da barragem.

terceira lição é uma derivação da segunda: o descumprimento da lei florestal se reflete também sobre a integridade das Unidades de Conservação que estão na Bacia do Rio Doce. Seus entornos, e em muitos casos também suas áreas, têm sido alvo de desmatamento e de especulação imobiliária. Tudo isso acontecendo no Cerrado e na Mata Atlântica, biomas que, mesmo sem as lições da professora lama, sabemos que estão bastante ameaçados.

quarta lição pode ser resumida como o binômio “forte reação e fraca ação”. Está relacionada com as duas anteriores, mas é, talvez, uma lição ainda mais amarga. O Rio Doce já não chegava mais em sua foz, em Linhares, no Espírito Santo. Ou seja, não conduzia mais água até a foz, por causa do comprometimento de sua vegetação e da devastação da bacia. Quando essa situação se deu, em julho do ano passado, houve uma grita geral: reportagens, protestos e indignação. Apesar disso, pouco ou nada foi feito para resolver a situação. Esse binômio, refletido nessa lição, pode ser visto em diversos casos onde o meio ambiente é o foco. Um resumo possível dessas últimas três lições é que as questões ambientais não são prioritárias, sempre perdem para outros interesses como os da mineração, da especulação imobiliária, do agronegócio e da siderurgia.

quinta lição que a lama nos deu ao passar pelos diversos municípios é que a existência de saneamento básico não é a regra e sim a exceção. Diversas cidades, como Governador Valadares, jogam esgoto ‘in natura’ no Rio Doce. Vale dizer que as projeções recentes dão conta de que mantido o ritmo atual, os serviços de saneamento básico serão universalizados, no país, só em 2053...

Caminha junto com essa lição, a sexta, que trata da poluição da bacia. Todo tipo de rejeitos eram jogados historicamente no Rio Doce e em outros rios da bacia. A fiscalização era e ainda é deficitária; ainda assim, alguns poluidores foram multados, mas em agosto do ano passado, o Estado de Minas Gerais aprovou uma lei anistiando as multas ambientais. Essa lição não precisa nem de mais explicações, nem de resumo: trata-se de um convite ao descaso com o meio ambiente.

sétima lição se relaciona com a forma pela qual o Estado brasileiro trata as populações que vivem diretamente dos recursos naturais, como os pescadores que foram prejudicados pela passagem da lama. Calcula-se que a quantidade de peixes mortos superou 10 toneladas. Mas vale perguntar: será que, mesmo antes da lama, numa bacia tão degradada, os pescadores conseguiam tirar seu sustento das águas e viver bem? E os índios Krenak, cuja terra indígena é banhada pelo Rio ex-Doce? Rio sagrado para esse povo que afirma que “morre o rio, morremos todos”? Como viverão? Fala-se em pelo menos 10 anos para o rio começar a se recuperar... ainda assim, em condições favoráveis...

oitava é uma lição de complacência. Ou seja, de como o Brasil lida com esse tipo de situação. Uma amostra disso está nas campanhas para que o resto do país enviasse água potável para a região do desastre. Ora, é, certamente, ótimo que as pessoas se engajem e colaborem, mas quem tinha que obrigatoriamente garantir a água para as populações afetadas pelo desastre é a empresa responsável pela catástrofe, a Samarco, sendo que ao estado caberia obrigá-la a fazê-lo. O mesmo vale para as medidas técnicas que deveriam ter sido adotadas para evitar, ou pelo menos para mitigar, suas graves consequências. Infelizmente, parece que o Estado brasileiro não quer se indispor com as empresas mesmo diante de um desastre de tais proporções.

nona lição é sobre nossa ignorância: pouco sabemos sobre nossa biodiversidade marinha e pouco sabemos sobre quais serão os impactos das partículas de lama, diluídas na água do mar, sobre corais, crustáceos, moluscos, peixes e mamíferos. Como a pluma (termo usado para designar as partículas de lama diluídas no mar) não é tão facilmente visível como a lama concentrada, as pessoas continuam nadando nas praias e comendo frutos do mar, um mar cheio de lama e talvez de metais pesados. Quem sabe quais serão as consequências... Essa ignorância, para piorar, guarda uma arrogância: não sabemos o que fazer? Por que não procuramos especialistas, pesquisadores, estudiosos, gente de qualquer lugar do planeta que poderia nos ajudar a conter a lama ou pelo menos seus impactos?

Por fim, a décima lição é sobre a inconsequência. Não estão claros, nem são divulgados, quais são os reais impactos dessa lama e seus elementos sobre as populações humanas. É conveniente esquecer que a lama ainda está vazando da barragem para o falecido Rio Doce e que a previsão é que isso ainda aconteça por mais dois meses. Nos últimos dias, apesar das constantes negações do governo, a lama, ou a pluma, parece ter chegado ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos e certamente vai causar grandes impactos por lá... No país em que não há consequências para autoridades que dão declarações inverídicas, a ministra do Meio Ambiente afirmou que isso não aconteceria. E se aconteceu?

*Nurit Bensusan é assessora do Instituto Socioambiental (ISA) e especialista em biodiversidade. 


8 de jan de 2016

MENSAGEIRO EXTRATERRESTRE NAS PRAIAS DE JACUMÃ


Passeando, turisticamente, pelas praias de Jacumã, município do Conde, Paraíba, comecei a fazer registros fotográficos de alguns locais e situações que atraíram a minha atenção, de cidadão paraibano e por coincidência, professor de ecologia. As fotos que se  seguem darão aos eleitores uma ideia de minha preocupação com o que ví, só com alguns poucos minutos de caminhada. Esclareço aos leitores que predomina ao longo dessas praias, na parte continental, falésias típicas da formação Barreiras, com características argilo-arenosas, sendo portanto, extremamente frágeis.
Daí então surge a combinação perfeita para uma tragédia,  no nosso combalido  sistema socio-político-ambiental: a falta do bom senso comum, ou seja, a iniciativa desorientada daqueles que querem se utilizar da maior proximidade possível da beleza natural da faixa litorânea e a ausência ou permissividade das autoridades responsáveis pela ocupação territorial. Algumas dessas autoridades, por ignorância ou por desejarem colher frutos eleitorais imediatos, "pensam" que ao permitirem construções no topo e na borda dessas falésias (como vemos nas fotos) estão praticando "desenvolvimento sustentável". Estimulando o turismo e proporcionando benefícios socioeconômicos para a população local.
Acho sempre necessário enfatizar a importância de se distinguir entre "crescimento urbano" e "desenvolvimento urbano". No primeiro, em tudo que venha a se fazer de melhorias, corre-se o risco de estar se praticando remediação urbana! E no desenvolvimento, prevalece o planejamento!!! No caso de Jacumã é fácil se observar que a principal fonte de renda da cidade é o turismo. Portanto, faz-se necessário um plano que permita a convivência saudável, segura e duradoura da população  local e dos inúmeros turistas, provenientes do turismo dito doméstico e do internacional. Ou seja, um desenvolvimento realmente, sustentável.
Um ambiente natural e um ambiente urbanizado salubre e higiênico, foram os pontos indicados como os mais importantes, em enquete com turistas que vêm ao Nordeste e ao Brasil, como um todo. E neste aspecto, Jacumã, para mim, não atende a tais requisitos.  Nas praias, o lixo pode ser visto a cada curto trecho de caminhada. Os bares que se acercam do maceió, visto numa das fotos, não dispõem de esgotamento sanitário. Grande parte dos banhistas fazem suas necessidades fisiológicas onde desfrutam do banho de mar e no maceió. Neste, com certeza, uma ou outra criança, engole água! Nossos ácidos estomacais operam milagres!!! Numa das fotos vê-se um bar cujo dono subestimou a força da Natureza. Grandes sacos com areia ao redor do bar não detiveram a ação das marés altas.
A população local, trabalhando no comércio, prestando serviços, vivendo de biscates, ou simplesmente circulando no trânsito, refletem claramente, com o devido respeito e comiseração, que nosso sistema educacional não funciona!
E agora poderá alguém me perguntar: por que o título deste ensaio? Um extraterrestre???
Voltando à minha caminhada. Como professor de ecologia, aposentado pela Universidade Federal da Paraíba, mas ainda dando aulas em Universidades particulares e, talvez ilusoriamente, querendo sempre, em toda e qualquer oportunidade que me surja, educar, ou pelo menos, estimular nosso povo a distinguir uma "boa qualidade de vida" de uma vida fundamentada na expressão bem brasileira "quem vier depois que se arranje", fui mostrando aos banhistas adultos que encontrei na caminhada na praia, quão depredadora, insegura, insalubre e trágica é toda essa ocupação calamitosa nas praias de Jacumã; sensação negativa que aumentou mais ainda quando eu e minha esposa tentamos salvar um caranguejo maria-farinha ou grauçá da indiferença dos banhistas. Assim, senti que a maioria se entreolhava a se perguntar: esse aí deve ser um extraterrestre!!!